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Duas maneiras de decorar: os apartamentos das gêmeas vizinhas de porta.

29/04/2015

A arquiteta Marina Dubal assina a decoração de seu apartamento e também a do imóvel da irmã.

A arquiteta Marina Dubal planejava o décor do apartamento comprado pela irmã, Fernanda, quando achou um imóvel para alugar no mesmo prédio, em Belo Horizonte. E, o melhor, na porta ao lado. Cada um a seu estilo, os projetos revelam que elas também compartilham o gosto por morar com charme e conforto.

A pesar das feições idênticas, Fernanda e Marina Dubal revelam personalidades distintas. “Ela é mais sóbria e organizada”, aponta a primeira se referindo à irmã, a quem encomendou o projeto de interiores do apartamento de 75 m² no qual vive com o ortopedista Felipe Vieira Pinto da Cunha. A segunda confirma: “A Fê possui um lado artístico bem aforado, enquanto eu sou extremamente prática”. A sintonia entre as duas, porém, supera as diferenças – o entendimento das gêmeas durante a obra correu às mil maravilhas. “Embora atue com design de produto e identidade visual, minha irmã também se formou em arquitetura. Isso me ajudou a compreender o que ela buscava e propor soluções”, conta Marina, que, contente com a planta do imóvel e a localização do edifício, bem próxima do trabalho, não hesitou em alugar a unidade que vagou ao lado do dúplex de Fernanda. Assim como as moradoras, os apês se parecem bastante, contudo têm lá suas peculiaridades. Como seria inevitável, um virou a extensão da casa da outra. “Ganhei um segundo lar, e ela também”, diz Fernanda, feliz com o resultado da decoração e a vizinhança.

Apê da Marina

MÓVEIS ASSINADOS EM ATMOSFERA INDUSTRIAL

O pé-direito de 6 m e o concreto aparente conferem um quê de loft ao projeto. Na decoração, peças concebidas por grandes nomes do design brasileiro e internacional e objetos garimpadas em antiquários compõem um mix atual descolados.

Misto de bar mesa lateral, o tonel metálico apoia metálico apoia a bandeja de prata que a mão das gêmeas deu a Fernanda de presente de casamento.

Neste aparador ficam uma máquina de escrever, herança do avô, e a letra F, encontrada no mercado de pulgas de Williambusburg, no Broklyn, em Nova York.

A mesa de jantar é um modelo da Tulipa, de Eero Saarinen (1990-1978) e Ray Eames (1992-1988).

O estar reúne cortinas de linho (Amém Casa) a sofá de sarja, almofadas estampadas (Daniela Karam) e duas criações do carioca Sergio Rodrigues (1927-2014): o banco Sonia e a poltrona Diz. A mesa de centro exemplifica novamente o talento de Charles e Ray Eames.

Telas, postes e fotos valorizam o paredão ao lado da escada. Pendentes de vidro jateado trazidos de Nova York e um móvel com rádio e virola- que Fernanda encontrou na Rua Itapecerica, point dos antiquários de Belo Horizonte – adicionam charme retrô à sala de jantar.

“COMO A IDEIA ERA EVIDENCIAR AINDA MAIS O VISUAL CRU DO APARTAMENTO, NÃO ESCONDIA LAJE DE CONCRETO E O CIMENTO QUEIMADO”.

O painel de pau-ferro, projetado por Marina e executado pela RW Marcenaria, emoldura a cama do casal. Criado-mudo da Oiti e enxoval da Ralph Lauren.

Esta simpática jarra em forma de pato veio de Paris, onde Fernanda e o marido passaram a lua de mel.

3- Localizado no piso superior do dúplex, assim como o quarto, o home office também faz as vezes de rouparia – lençóis ficam guardados no armário sob a janela. O gaveteiro amarelo e o papel de parede são da Tok & Stok. Sofá da Axis.

SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA O IMÓVEL ALUGADO.

A moradora não quis promover alterações permanentes no apartamento, mas nem por isso deixou de montar ambientes estilosos. Móveis soltos e materiais fáceis de instalar e remover numa eventual mudança lideram as escolhas feitas pela arquiteta.

Bancos de papelão (100’t) decoram este canto da sala. Vaso da Vênica Casa.

O revestimento da parede (da Muresco, comprado na Leroy Merlin).

Fã de Frida Kahlo (1907-1954), e poltrona amarela da Desmobilia.

O jantar tem pé-direito simples, já que o mezanino foi fechado numa reforma anterior. Mesa da Líder Interiores e pendentes da Loja Elétrica.

A mãe das gêmeas tinha a colcha e o baú usado como criado-mudo desde quando em solteira. Agora, as peças ambientam o quarto da filha.

Na bancada do home office, a brincadeira com o M de Marina.

Serigrafias (Base-V) e fotos se alternam neste trecho do piso superior.

Cavaletes (Oppa) sustentam o tampo de MDF (Armários Nunes), Cadeira datidelli. O tapete de pele bovina foi presente do namorado da arquiteta.

“Evitei apostas que demandam obras para devolver o apartamento. Se precisar sair daqui, é só carregar as coisas comigo”.

matéria publicada na revista Casa Claudia em fevereiro de 2015.