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‘CONSUMIDOR APERTADO’ JÁ É 52% DA POPULAÇÃO

23/04/2015

O consumidor está muito preocupado com a inflação, economizando para pagar dívidas, cortando gastos com lazer fora de casa e reduzindo suas idas ao comprando aquilo que provocou e gostou em épocas de bonança, procuram lojas que tenham preços mais camaradas e promoções. Se isso não da certo, troca de marca.

O “consumidor apertado”, aquele tem um nível de gastos baixo e compra básico, equivale hoje a 52% da população, segundo levantamento da Nielsen, do qual participaram os especialistas Priscila Biancardi, Sabrina Balhes e Bruno Curtarelli. A empresa, no fim do ano passado, pesquisou o comportamento dos brasileiros em 48 milhões de domicílios urbanos.

Segundo o estudo, 13% dos brasileiros estão economizando para pagar dívidas atrasadas e 64% afirmam que diminuem lazer a fora do lar para economizar.

A pesquisa também aponta o que os outros levantamentos já mostraram: a classe média pôs o pé no freio na hora de comprar e a classe de maior renda (A e B) é que está puxando o consumo.

Houve uma redução de 4,7% no número de visitas ao ponto-de-venda no ano passado. O valor médio gasto cresceu 5,6% a cada visita. Estão sendo mais planejadas.

Boa parte da indústria e do varejo entendeu esse quadro, mudou a estratégia e conseguiu aumentar o faturamento e o volume vendido no ano passado.

No ano passado as vendas de 137 categorias de produtos – bebidas, alimentos, artigos de higiene pessoal e cosméticos, entre ele – cresceram 3,7% (em volume) e 4,9% (em valor, já deflacionado), segundo a Nielsen. No ano anterior, o desempenho havia sido pior: retração de 0,3% no volume e aumento de 3,5% no faturamento.

Dados já divulgados pelo IBGE mostram um cenário mais preocupante para o comércio varejista restrito (exclui veículos e material de construção): em 2014 o volume de vendas cresceu apenas 22% em relação a 2013. Foi o pior resultado em dez anos.

No ano passado, segundo Nielsen, a categoria de produtos que mais se destacou, com vendas equivalentes a 30% do faturamento total apurado na pesquisa, foi a de cerveja e refrigerantes. Este setor conseguiu elevar preços, fez promoções e ofereceu diversos tipos de embalagens.

matéria publicada no jornal Valor em 1 de abril de 2015.