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CONEXÃO BRASIL

22/04/2015

Não se trata da capacidade industrial italiana. Nem tampouco da qualidade de produto “made in Italy”. Por trás do protagonismo que Milão Duas mostras uma carioca, outra paulista, integram a programação da Semana do Design de Milão.

exibe frente às demais semanas de Design do mundo, está a própria geografia da cidade.” No cenário europeu, nenhuma outra é capaz de proporcionar a seus visitantes um ambiente tão culturalmente acolhedor. E tão aberto às mais variadas expressões criativas.

Em especial, a partir de 2006, quando o salão Internacional de Móvel (ver entrevista na pág.26), a força motriz do evento milanês, se transferiu para a sua atual sede, no subúrbio de Rho Pero, estimulando a ocupação da cidade por centenas de eventos “fuorisalone”. Ou, em outras palavras, por exposições e lançamentos que acontecem para além das dependências da feira oficial.

Pelo sétimo ano consecutivo, por exemplo, a mostra brasileira Rio+Design faz do Superstudio, uma antiga oficina na principal via da Zona Tortona, o seu endereço na cidade. A proposta desta edição, “Madeira de Tecnologia”, que acontece de 13 a 19 de abril, pretende levar a Milão objetos assinados por designers cariocas no s quais a utilização de madeira sustentável e de processos avançados de fabricação são duas premissas essenciais.

A rotina dos profissionais locais, dos processos criativo à tecnologia utilizada em seus produtos, promete ser outro aspecto abordado pela montagem. Assim, ao lado de suas criações, vídeos enfocando o trabalho de 12 profissionais cariocas, entre eles, Guto Índio da Costa, Ricardo Leite, Zanini de Zanine e Marzio Fiorini, entre outros estarão em exibição.

“Este ano, procuramos focar nossa participação na geração de novos negócios. Daí a extensa agenda de encontros programada entre designers e empresários” afirma a subsecretária estadual de Comércio e Serviços do Estado do Rio, evento. “O conteúdo é bem diversificado. Temos desde equipamentos industriais a móveis, passando por luminárias e joias. O objetivo, porém, é comum: abrir o mercado internacional para o nosso design”, diz.

Como acontece na mostra fluminense, também os eventos “fuorisalone” a cada ano ampliam suas fronteiras e passam a incluir novos campos de aplicação do design, como a culinária e a jardinagem. O ritmo de contaminação criativa é tão intenso, que não chega a ser um exagero afirmar que, em épocas de semana do design, nunca se visita a mesma Milão, duas vezes. Em função do design, é o próprio desenho da cidade que muda. Assim como seus personagens.

Entre os recém-chegados, o MADE (Mercado de Arte e Design) organizado desde 2013 em São Paulo, realiza sua primeira incursão na capital do design, atestando o crescimento do interesse pelo design brasileiro no mundo. Especialmente o de matriz jovem, como o veiculado por designers emergentes como Rodrigo Almeida e Sergio Mattos. Mas também por nomes consagrados como Fernando e Humberto Campana, Claudia Moreira Salles e Fernando Prado.

Com a curadoria de Waldick Jatobá, e colaboração de Bruno Simões, a mostra paulistana acontece no Palazzo Lita, centro de Milão, de 15 a 19 do próximo mês, apresentando, além de uma consiste seleção de móveis contemporâneos, um acervo de dez bancos indígenas, produzidos entre o século passado e os dias de hoje.

“O design produzido por nossos índios sugere verdadeiras esculturas funcionais. Nelas coexistem senso de proporção, ritmo e movimento. Um belo contraponto ao cenário excessivamente comercial que vivemos hoje”, considera Jatobá, que pretende enfocar a produção atual em consonância com este legado nativo.
Para completar, duas assinaturas ilustres prometem marcar presença nas dependências do palácio barroco milanês: a cenografia ficará a cargo dos irmãos Fernando e Humberto Campana e além dela, um pavilhão temporário, que pretende servir de realização da mostra, foi desenvolvido pelo estúdio do premiado arquiteto paulistano Marcio Kogan.

“A preocupação com os detalhes e o cuidado no trato com a matéria-prima são dois aspectos que aproximam a produção atual daquela desenvolvida por nossos nativos. E disso só temos de me orgulhar”, argumenta o curador.

Luminária Ouriço de Angela Carvalho (Rio+Design).

Banqueta da Kvadrat (Rio+Design).

Cadeira de três pés de Ricardo Graham (MADE).

Mesa átomo, da Em2 Design (Rio+Design).

Cadeira Convés também da Em2 Design (Rio+Design)

Banco Ratoeira, da Em2 Design (Rio+Design).

Cadeira Barraco de Rodrigo Almeida (MADE)

Luminária de Ana Neute e Rafael Chvaicer (MADE).

Criado mudo do Garupa Estúdio (MADE).

Cadeira de Rodrigo Silveira (MADE).

Banco Mocho Cuera, de Ines Schertel (MADE).

matéria publicada no jornal o estado de S.paulo 29 de março a 4 de abril de 2015.