English Version

PAIXÃO PELA FORMA

07/04/2015

A formação multidisciplinar-ele estudou arquitetura, artes visuais, além de design gráfico e de interiores- permite ao goiano Leo Romano livre acesso aos mais diversos setores criativos. Com uma longa lista de trabalhos Brasil afora, foi na sua Goiânia natal que ele conheceu o empresário Marcus Ferreira, da Decameron, que se encantou por uma de suas mesas.

“Senti de imediato a força conceitual do trabalho dele e no ato começamos a planejar o lançamento de uma coleção”, conta Ferreira que na semana passada apresentou em são Paulo, a coleção e Chuva. “Os móveis priorizaram o trabalho artesanal e isso é muito importante para mim”, como Romano declarou ao Casa, por e-mail, direto da capital goiana.

É a primeira vez que desenha móveis? Como foi a experiência?

Desenho móveis e objetos desde que me formei. No começo desenvolvia peças apenas para meus clientes finais. Há treze anos realizei minha primeira mostra com móveis concebidos a partir do uso da espuma. Vendi todos eles como peças únicas, sem as colocar em produção sequencial. Dois anos atrás, fui convidado para desenhar para uma empresa gaúcha e aí ingressei de vez no circuito comercial. A empresa América, de Minas Gerais, também tem produzido alguns móveis desenhados por mim, e agora surgiu o convite da Decameron.

Qual foi sua principal inspiração no desenvolvimento desta coleção?

Minha inspiração permanente é o cotidiano. Pode ser um livro, uma palavra, uma viagem, uma revista. Acho, no entanto, o desenho da natureza perfeito, sendo para mim a mais rica fonte de inspiração. Esta coleção é exemplo disso. Ela surge da observação da chuva. Acho lindo, particularmente, o desenho das gotas. Gosto também da sensação de tornar a madeira macia e ponto de poder ser modelada a mão. Acho incrível a ideia de alterar a abordagem tradicional que se faz do material. Considero a madeira muito sedutora.

O que sua vivência como arquiteto pode ser reconhecido nas suas criações?

Acredite que, principalmente, a paixão pela forma e a busca de um conceito. Trago essas referências da minha formação em artes plásticas. Para mim, sempre foi importante ir além da função. Gosto de poesia e acredito que todo trabalho de criação deve ser sensorial, despertando nas pessoas as mais variadas sensações. Busco sempre uma linguagem autoral capaz de dar identidade ao que faço.

Matéria publicada no jornal o estado de S.paulo 22 a 28 de março de 2015.