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UNIR PESSOAS

02/04/2015

Quando criança, Cadu Silva gostava de passar um bom tempo à mesa, depois do almoço, ouvindo as histórias do avô.

Passados alguns anos, homenageou o mais velho da família com móveis feitos com o propósito de serem, antes de qualquer outra coisa, confortáveis. “Foi pensando em fazer uma homenagem póstuma ao meu avô que surgiu a Conversadeira, uma cadeira que desenhei para que as pessoas consigam passar mais tempo sentadas ao redor da mesa”, conta.

O mote da homenagem rendeu o que o designer considera hoje a essência do seu trabalho: unir as pessoas através do conforto. Em 2012, depois de sair da faculdade de design de produto, em Curitiba, Cadu Silva já sabia que o desenho, que ele gostava de fazer desde de criança, tinha destino certo, o de fazer móveis para casa. “Entrei no curso pensando em desenhar carro, mas depois que uma professora me apresentou o trabalho de nomes do design nacional, como Sergio Rodrigues e Joaquim Tenreiro eu percebi que era isso que eu gostaria de fazer” conta.

Os mestres do mobiliário modernista inspiraram o designer sua carreira com a poltrona Rita Baiana, esboçada ainda na faculdade. “A criança dessa peça foi inspirada no desenho das redes. No fim das contas também lembra uma canoa, ideia que me agradou bastante. O nome veio depois de ler O Cortiço, obra do escritor Aluísio de Azevedo”, explica.

A cultura brasileira, pelo visto, deve continuar inspirado o designer em suas criações planejadas para saírem do papel esse ano. Disposto a experimentar novos materiais, ele agora se dedica a estudar a cultura indígena, tema que norteará sua próxima série de objetos. “É nessa coleção que quero mostrar pela primeira vez o meu trabalho com a madeira apoiado em outros materiais, como o ferro e o alumínio. É um processo delicado, não quero de forma alguma desrespeitar essa cultura, apenas propor um novo olhar sobre as coisas que existem nesse contexto.” Criar outras luminárias também está nos planos, numa série que também deve aparecer em seu portfólio ainda esse ano. “Tenho uma que desenhei na época em que dormia um colchão no chão e nenhuma luminária servia para eu ler naquela cama. A Froggy, com ‘pés articuláveis’ funcionou para mim”, conta bem-humorado.

Na Paralela Móvel, feira de designer que aconteceu em fevereiro, em São Paulo, o designer mostrou na capital pela primeira vez seu trabalho num trabalho num evento do setor. “Agora é o momento de colher os frutos, e seguir criando, sempre.”

Matéria publicada no jornal de s.paulo 22 a 28 de março de 2015.