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MARCAS DO TEMPO

23/03/2015

Todo mundo tem sua história uma soma de experiências que aos poucos, dá forma á personalidade. Com a casa não é diferente: as memórias e os sinais de passagem dos anos ajudam a torná-la única, calorosa valoriza o que traz identidade, o que não é perfeito mais, conforta a alma e a parceria harmoniosa entre o antigo e o novo.
“Virou algo comum ver casas com paredes descascadas, tecidos desgastados. Agora, é permitido assumir a passagem do tempo. As pessoas estão menos preocupadas com a estética perfeita da morada e mais inspiradas em expressar ali sua identidade”.
Quanto mais turbulentas as tensões sociais, econômicas e políticas, mais a casa simboliza o espaço de segurança física e emocional, de proteção e relaxamento. É o lugar que conta as histórias e as experiências de quem mora ali, que acolhe as boas lembranças. Tudo reunido em diferentes momentos da vida – por isso, passado e presente convivem. “Acredito que a morada do futuro é a casa baú de memórias, repleta de fotografia e enfeites. Assim como envelhecemos e ganhamos rugas e cicatrizes, nosso cantinho também deve refletir quem somos e espelhar um modo de viver autoral”, ressalta o arquiteto Guto Requena. Para muitos cercar-se de objetos carregados de valor afetivo é mais importante selecioná-los pela estética. O sopro do passado está na pintura descascada, nas manchas de madeira, nos metais enferrujados, nos livros de páginas amareladas. São vestígios de uma vida bem vivida. “A textura do lençol de algodão faz parte do enxoval de casamento da minha vó é maravilhosa". Já fui perfeccionista, conta a designer de interiores Maristela Gorayeb. O envelhecimento, na casa como na vida, precisa ser encarado com naturalidade.

O padrão do papel de parede Broklin Tins, Da grife NLXL, reproduz o desenho de antigas telhas de ferro esmaltadas (Regatta).

RE.FÚ.GIO

Transformar a morada numa ilha de sossego que remete a paisagens naturais também é uma maneira de obter a sensação de acolhimento e proteção. Em resposta ao excesso de tecnologia, á profusão de materiais sintéticos e à poluição visual e sonora nas grandes cidades, buscamos a ligação com os elementos da natureza. Ainda que pequenas doses: arranjos de flores, a horta na cozinha e a luz do Sol batendo na janela já colaboram para trazer bem-estar.

Matéria publicada na revista arquitetura & construção em março de 2015.