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MAIS POBRE, CLASSE MÉDIA SENTE RETROCESSO NO PERFIL DE COMPRA

16/03/2015

A nova classe média brasileira, símbolo da política econômica do atual governo, está mais pobre e para se proteger da perda do atual governo, passou a cancelar temporariamente a aquisição de produtos que expressavam suas conquistas de consumo dos últimos anos. Com isso, o consumidor deu “ Um passo para trás” e foram interrompidos esse processo e demos um passa para trás”, disse Christine Pereira diretora comercial da consultoria Kantar Worldpaner. “Para 2015 esperamos uma tendência muito parecida com 2014. Os consumidores terão de fazer mais escolhas na hora a compra”

Segundo a executiva, o volume médio de produtos comprados no varejo pelas classes A e B caiu 3,1% em 2014 e na classe C, recuou 1,3% Na classe D, houve alta de 3,4%, resultando num número geral de leve queda de 0,2% no volume médio em 2014, segundo pesquisa da Kantar obtida pelo valor.

Depois de medidas tomadas, como a troca de marcas mais caras pelas mais baratas e substituição de produtos há diminuição da frequência de compra de alguns produtos, sem necessariamente substituição por itens equivalentes. É o caso de produtos com preços elevados e que são “novos entrantes” como alvejantes sem cloro, que custam de R$10 a R$18. Doces e biscoitos, considerados supérfluos, também caíram em frequência na Lista, Assim como o pós – xampu para os cabelos. Esses dados fazem parte de pesquisas de consultorias como Kantar, Data Popular e Nielsen no último ano.

As mudanças de comportamento de compra refletem a menor renda disponível nas classes C e D, reflexo de maiores pressões inflacionárias, especialmente em alimentos e bebidas (IPCA dos setores foi de 8% em 2014), crédito mais caro e elevação nas tarifas públicas. “O consumidor tenta preservar, ao máximo, o status adquirido. Ele já fez trocas de marcas para não abrir mão do produto. Também já passou a comprar em novos canais, como o ‘atacarejo’. Ajustes mais drásticos podem acontecer se o mercado de trabalho se o mercado de trabalho se deteriorar, porque o varejo de bens não duráveis depende de renda”, disse Alberto Serrentino, sócio-diretor da varesa retail.

O levantamento de Kantar mostra também que o brasileiro foi nove vezes menos ao varejo, em média, em 2014. É uma redução de 10% no número de visitas ao ano. Para efeito de comparação, e 2013, o volume médio subiu pouco, mas não declinou (0,8) e o números de visitas também caiu menos (diminuiu em três vezes ao ano).

Matéria publicada no jornal Valor em 4 de março de 2015 por Adriana Mattos.