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A ERA DAS CIDADES

12/03/2015

Em nosso mundo superconectado e superurbanizado, o design é um valor estabelecido, que nos ajuda a viver melhor nos grandes centros urbanos e dentro de casa estimulando o convívio gentil.

Há 37 anos, a revista Casa Claudia mostra os diferentes jeitos de viver dos brasileiros, em casas e apartamentos cheios de histórias e que refletem a rica diversidade de nosso país. Durante esse período, muita coisa mudou no Brasil e no mundo. Particularmente no universo dos hábitos e no mundo. Particularmente no universo dos hábitos e comportamentos relacionados ao morar, uma das transformações de maior impacto é radical urbanização do planeta. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 54% da população mundial – de 7 bilhões de habitantes – reside em cidades. Em 1950, a falta era apenas 30%. Para 2050, a projeção é 66%. No Brasil, os números são ainda mais impressionantes: de acordo com o censo 2010 do Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE), 84% dos habitantes se concentra em áreas urbanas. Aqui e lá fora, cidades são irresistíveis devido aos muitos benefícios que oferecem: concentra m bons empregos, serviços de ponta, polos de educação e tecnologia, áreas de lazer, centros culturais, industriais e financeiros e instituições políticas. “Hoje, as metrópoles mais atraentes são as que permitem a diversidade, a individualidade e a expressão de seus moradores. Elas não esmagam as pessoas, mas as enaltecem. Do ponto de vista econômico e social, acomodam o desenvolvimento com ética e sustentabilidade. E, por isso, muita gente deseja ali viver”, diz Luciana Stein, diretora da empresa de tendências trendwatching.com para a América Latina. Entretanto, para além dos aspectos positivos, a vida em grandes centros urbanos traz desafios complexos, especialmente em países emergentes como o Brasil, em que a desigualdade social, a ocupação populacional desordenada e problemas ambientais e de mobilidade causam impacto negativo no bem-estar das pessoas. “A lista de potenciais riscos é longa: Habitações precárias e lotadas, água e alimentos impróprios para o consumo, serviços de saneamento e descarte de resíduos sólidos inadequados, poluição do ar e trânsito congestionado”, aponta a médica Margaret Chan, diretora-geral da Organização mundial da saúde (OMS) no relatório Hidden cities – Unmasking and Overcoming Health inequities in Urban Settings (algo como: Cidades Ocultas – Revelando e Superando Desigualdades em Agrupamentos Urbanos). Apesar das profundas e positivas transformações sociais e econômicas que o país observa desde meados dos anos 1990, com a estabilização da moeda, a queda da inflação, o crescimento econômico, o aumento real do salário mínimo e a redução da pobreza, ainda falta muito para a qualidade de vida e avançar. No ranking do índice de Desenvolvimento humano (IDH), o Brasil está em 79 lugar, atrás de outros países sul-americanos, como Chile, argentina, Uruguai e Venezuela. “O conceito de cidade sustentável reconhece que é preciso atender aos objetivos sociais, ambientais, políticos e culturais, bem como ás motivações econômicas e físicas de seus cidadãos”, escreve o urbanista Carlos Leite no Livro Cidades Sustentáveis, cidades Inteligentes (brookman). Como se viu em junho de 2013, milhões de brasileiros a maioria jovens, saíram ás ruas para reivindicar melhorias – de início, focadas nos serviços públicos de transporte e na mobilidade Urbana. Com o desenrolar das manifestações, saúde, segurança, moradia e combate á corrupção foram incluídos na pauta. ‘trabalhamos com os problemas no presente, ignoramos o passado e não investimos no futuro. A palavra prevenção raramente é empregada.

“HOJE, AS METRÒPOLES MAIS ATRAENTES SÃO AS QUE PERMITEM A DIVERSIDADE A INDIVIDUALIDADE E A EXPRESÃO DE SEUS MORADORES. ELAS NÃO ESMAGAM AS PESSOAS, MASAS ENALTECEM”

A crise de abastecimento de água em São Paulo reflete isso” analisa Tatiana Sakuri, professora do Departamento de Projeto da faculdade de arquitetura e Urbanismo da universidade de São Paulo (FAU-USP). Os projetos do ano passado serviram para tornar evidente a urgência em enfrentar as questões ligadas ao crescimento das cidades, que exigem planejamento, definição de prioridades para investimentos público a maior protagonista da sociedade.

Viver só, no entanto, deixou de ser sinônimo de isolamento. A popularização das novas tecnologias e das redes sociais permite cultivar proximidade, ao menos virtual, com as pessoas de quem gostamos. “Muito se falou que sairíamos cada vez menos de casa, que ficaríamos isolados com o surgimento da internet. Porém as tecnologias nos aproximam e aquecem os contatos. A humanidade nunca se deslocou tanto, assim cresce o número de famílias multiculturais. O mundo parece menor”, analisa o arquiteto Guto Requena. Quando abro o computador e me conecto a uma rede social, com o Skype, para falar com alguém distante, posso desfrutar do sentimento de lar em outro país, longe da minha casa”, complementa .Em tempos de tecnologia móvel, podemos trabalhar e estudar em casa ou no parque, e interagir virtualmente com os outro cafés e nas praças. “a mobilização espontânea, potencializada pelas mídias sociais, ganha força e se manifesta nos espaços públicos – nos parklets, nas exposições a céu aberto, nos protestos em forma de passeata”, diz Tatiana Sakurai. O mesmo aparato tecnológico que favorece a conexão interpessoal também está entre os responsáveis por ajudar na disseminação da cultura de design. Celulares, tablets e ultrabooks de uso intuitivo e visual atraente funcionam como a primeira experiência de uma parcela da população com um produto de design. E, claro, quem experimenta o que é bom logo passa ater outro nível de exigência com tudo o que compra. Paralelamente a essa satisfação do consumidor, o design brasileiro – alavancado pelo sucesso global dos irmãos Campana e das peças de mobiliário dos anos 1950 e 1960, que viraram objeto de desejo em galerias estrangeiras – vive um momento muito positivo. “O design nacional está sendo valorizado como nunca, e isso é bom para todos os setores da economia. Visibilidades nós já temos. Mas, para chegarmos de ações de estímulo á indústria e ao desenvolvimento tecnológico. Apenas 1% dos produtos que exportamos são design. Em países como a Itália, esse número chega a 70%, cota o empresário Pedro Paulo Franco, dono da a Lot Of.

Nesse cenário que descortina um mundo superubanizado e superconectado, no qual o design é um valor perene CASA CLAUDIA conversou com especialistas em tendências brasileiros e estrangeiros, além de arquitetos, decoradores e designers, e identificou quatro movimentos que influenciarão nos próximos tempos o modo como as pessoas vivem em casa e nas cidades . O primeiro, chamado brasilidade, mostra como as raízes culturais, e exuberância da natureza e a alegria de viver de nosso país inspiram a decoração. Em seguida, vem compartilhar, em que a cultura de dividir informações fomentada pela internet favorece o resgate de outras formas de colaboração e a criação de espaços para a troca de bens tangíveis. Marcas do tempo fala da beleza da passagem dos anos e de como ela fica imprensa em móveis, objetos e revestimentos. Por fim, Menos e Melhor retrata a busca pelo que é essencial, único e pessoal na arte de morar.

Matéria publicada na revista Anuário de Tendências no ano de 2015 por Luciana Jardim