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UMA CONSTURA DELICADA

02/03/2015

“Era um sobrado velho, escuro e atravancado. Pior, totalmente destruído. A laje no corredor lateral barrava a entrada de claridade no térreo. Bem no meio da sala, a escada atrapalhava a circulação. Bem no meio da sala, a escada atrapalhava a circulação. Nem a garagem maltratada escapava desse senário desolador. Algo, porém, me agradou: só era geminado de um lado – o outro dava para uma esquina contornada com árvores floridas. Foi naquele local de casa sombria, a primeira que vi no planalto paulista, bairro onde meus pais moram, que o coração bateu forte. Essa sensação definiu o negócio. Devemos mirar além do que os nossos olhos veem para vislumbrar o potencial de certo lugar. Renovado, pode se tornar um refúgio prazeroso. Eu tinha passado cerca de dois procurando apartamento em Higienópolis, na região central de são Paulo, pois queria morar perto do Studio Arthur Casas onde trabalhava na época e descobri a importância dos detalhes. No entanto, os preços eram estratosféricos. Quando tirei essa ideia fixa da cabeça, minha casa apareceu, e, com ela, o compromisso de casamento. Meu namorado decidiu investir na reconstrução comigo. Pontuada com minúcias, a obra durou 14 meses e só terminou ás vésperas da trocas da alianças. Por sorte, família, amigos e empresas parcerias ajudaram na aquisição de alguns matérias Eduardo e eu bancamos o restante, que nos custou aproximadamente R$ 200 mil. Foi um dos primeiros projetos das minha carreira solo, dos mais intricados. Para chegar ao formato desejado, tive de rebaixar o piso, remanejar as escada, recriar portas e ampliar as aberturas – soluções que promoveram o diálogo entre os espaços internos e externos. Agora, da cozinha vejo a sala e o quintal. Não somos um casal gourmet de carteirinha, mas adoramos receber bem. Com o novo layout, podemos desfrutar e oferecer muito mais conforto. No pavimento superior, ganhamos um gostoso terraço colado em nosso quarto, junto á copa das árvores. Enxerguei neste endereço a possibilidade de usar vários recursos de arquitetura a fim de dar forma uma morada que nos abraça e nos acolhe, de onde não queremos mais sair.”

Matéria publicada na revista arquitetura & construção em fevereiro de 2015 por Lyna Barbosa.