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MÓVEIS SUSTENTÁVEIS SÃO DESTAQUE NA 2º EDIÇÃO DO PROJETO RETRATO BRASÍLIA

03/02/2015

Materiais descartados e até jogados no lixo servem como ponto de partida para artistas brasilienses

Com os móveis e os revestimentos produzidos com material sintético ou reutilizado, surgiu também um novo segmento de mercado: o do design gerador de transformação. É quando a madeira de demolição e as garrafas pet, por exemplo, ganham status de matéria-prima verde (ecologicamente correta) e descolada. Na segunda edição do projeto Retrato Brasília, realizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em parceria com o Correio Braziliense, as atenções se voltaram para esse segmento, que confere beleza e resistência a partir de apetrechos comuns.

A ação reuniu ideias executadas em Brasília, como a fábrica de mobiliário Baru Design. Fruto da parceria de Thiago Lucas e Bruno Antunes, a empresa brasiliense produz móveis com madeira reaproveitada, coletada principalmente dos canteiros de obras da cidade. “A ideia surgiu ainda na faculdade, onde a proposta era trabalhar com design socioambiental. Percebemos que muita coisa ia para o lixo em perfeito estado e, aí, vimos uma oportunidade de crescimento”, conta Thiago.

Enquanto móveis antigos recebem roupagens modernas, como as duas cadeiras feitas pela linha DFeito, madeira de demolição ganha forma na Baru Design

Os móveis são produzidos pela cooperativa Sonho de Liberdade, cujos trabalhadores são todos ex-presidiários. “Eles já trabalhavam com o aprimoramento da madeira, cerrando e tirando ferragens a fim de fazer estacas para campanhas publicitárias. Para eles, a madeira não tinha valor. Conseguimos reformular o destino da matéria-prima e, hoje, a parceria se mostrou muito rentável para as duas partes”, acrescentou Thiago.

Para o criador e coordenador do Retrato Brasília, Jackson Araújo, mais do que uma forma de expressão artística, o design é um estímulo de resposta. “O design útil, como gosto de chamar, vai além da categoria de arte, de forma. Os objetos não são feitos com função apenas decorativa. Trazem, dentro do seu escopo de criação, a propagação do bem”, sugere.

Experiência
Criada em 2011 pela artista plástica Nina Coimbra, a linha DFeito também participou do Retrato Brasília deste mês. “Foi ótimo trocar experiências e conhecimentos com pessoas da área”, conta. A empresa dela é especializada em reformular objetos antigos ou com defeitos. De acordo com Nina, dá para brincar com tecidos e remanejar estruturas, como tirar uma perna da cadeira, por exemplo, e montar um tripé. “Você pega um objeto descartado e consegue fazer um novo produto”, explica. Para conseguir matéria-prima, Nina Coimbra conta com antiquários e até lixeiras. “Não existe um lugar certo para conseguir esse material. Ganhei de amigos, comprei de lojas, peguei no lixo. É assim”, conclui.

Publicado em Correio Braziliense por Bernardo Bittar.