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OFERTA DE SOBRADO VAI DO ECONÔMICO AO LUXO

02/02/2015

Enquanto as regiões mais centrais e valorizadas de São Paulo veem surgir alguns poucos e, em geral, sofisticados condomínios horizontais, é na zona leste que o desejo de morar em casa ganha forma.

Uma leva de novos sobrados de rua ou em condomínios de médio porte, com foco em famílias pequenas, sustenta a oferta por lá.

De janeiro de 2010 a agosto deste ano, mais de 3.000 empreendimentos residenciais horizontais foram lançados nessa região, segundo a Geoimovel Inteligência de Mercado.

O volume corresponde a 58% de todos os horizontais novos na cidade.

"Os residenciais horizontais de até R$ 400 mil tiveram um bom giro nesse período e 14% estão em estoque", diz Celso Amaral, diretor da Geoimovel e da Amaral d'Avila Engenharia de Avaliações.

O executivo Paulo Lima mora com a mulher e dois cães de estimação há sete meses em um sobrado na Vila Matilde (zona leste). O espaço foi decisivo, segundo ele.

"Decidi mudar de um apartamento, também próprio, para uma casa no mesmo bairro, devido à melhor distribuição da planta e à maior ventilação nos dormitórios."

A sensação de liberdade e maior espaço é um dos principais anseios de quem busca um sobrado. Mas ela nem sempre se materializa.

Nos sobrados com frente para a rua, a independência é maior. Nos geminados, no entanto, a convivência com os vizinhos é próxima e pode virar um incômodo.

Nas regiões em que há mais oferta de sobrados à venda em São Paulo, a indústria trabalha, predominantemente, com duas configurações: os de frente para a rua e os em condomínios de médio porte.

Nos sobrados de rua, as unidades são independentes e costumam ter uma suíte, duas vagas na garagem e áreas úteis individuais, como quintal e churrasqueira.

Já nos sobrados geminados em condomínio, é comum haver o compartilhamento de depósito e salão de festa (quando existir). Esse tipo de empreendimento não costuma ter piscina, por exemplo.

O preço médio do metro quadrado para esses empreendimentos está na casa de R$ 5.000, conforme construtoras que atuam no segmento, sobretudo na zona leste, a campeã em lançamentos horizontais na cidade.

A Masterplus Incorporadora, por exemplo, tem 20 unidades prontas para morar à venda – a maioria no bairro da Penha. Segundo o administrador da empresa, Adriano Marcos da Silva, são sobrados de 110 m² a 170 m², com três dormitórios, no valor de até R$ 400 mil.

"Apesar do volume elevado de projetos, a zona leste é promissora", diz Silva. "Ainda há terrenos para construção de sobrados independentes, não em condomínios, em bairros como Penha, Tiquatira e em regiões longe do centro da cidade."

Segundo Luiz Almeida Junior, sócio diretor da ACL Construtora e Incorporadora, o comprador de sobrado, em geral, tem renda média familiar de R$ 7.000 a R$ 12 mil.

Ele diz ainda ver demanda por sobrados de até R$ 250 mil. A incorporadora prevê iniciar neste mês dois empreendimentos com esse perfil mais econômico em São Miguel e em Guaianazes.

INSPIRAÇÃO GRINGA

Num outro lado da cidade, de poder aquisitivo maior, alguns condomínios horizontais seguem modelos internacionais, como o das "townhouses". Comuns na Europa e nos EUA, esses conjuntos de imóveis se caracterizam pelos múltiplos andares e compartilhamento de paredes –assim como nos populares.

O parede com parede costuma ser uma queixa de quem busca desfrutar de "liberdade, segurança e conforto" em um sobrado.

Para a bancária Maria Vieira, que vive há dez anos com a família em um condomínio de "townhouse"na zona sul, o compartilhamento é um inconveniente.

"A sensação de segurança é diferente em um condomínio, também tenho espaço para ter um escritório, mas consigo ouvir os vizinhos subindo escada de salto alto e ouvindo música", conta.

A townhouse reúne unidades de 87 m² a 470 m², com, no mínimo, três dormitórios e duas vagas de garagem. Cada imóvel dispõe de solário e área para churrasqueira na cobertura. Em geral, o público alvo desses projetos tem renda familiar superior a R$ 12 mil.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 02 de novembro de 2014 por Caroline Pellegrino.