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SEM DESIGNERS NO MERCADO PARA CRIAR JOGOS NO PAÍS

21/01/2015

As empresas brasileiras que criam games corporativos em geral se veem obrigadas a investir internamente no treinamento de seus designers de jogos. Isso porque não há ainda cursos específicos para a formação de profissionais com esse foco.

Para o diretorexecutivo da Aennova, Sunami Chun, uma alternativa é buscar talentos nos mercados de entretenimento e também com experiência em elearning.

Já Felipe Azevedo, sócio-diretor da Eguru & Clave, diz que a agência mais forma que contrata seus designers. "O aprendizado durante o trabalho acabado sendo muito mais rápido", diz. Segundo ele, a maioria tem interesse por games de entretenimento, até por não conhecer o modelo de jogos corporativos", afirma.

Segundo Ivan Lobato, proprietário da Gaz Games, atualmente os cursos são focados na criação de jogos de forma ampla. "Os alunos acabam aprendendo detalhes sobre o mercado corporativo apenas quando entram nas empresas", afirma.

As escolas, porém, já começam a se movimentar para mudar esse panorama. A Universidade Anhembi Morumbi, por exemplo, possui um curso de graduação em design de games. Na avaliação de seu coordenador, Delmar Galisi, as maiores oportunidades desse mercado no Brasil têm surgido na aplicação dos jogos para fins que não o de entretenimento, como os corporativos e educacionais.

Dessa maneira, no currículo do curso que passa a valer em 2015, o foco em games com finalidades além da diversão permeará as matérias do quinto período. "Embora essa abordagem não aparecesse antes em projetos específicos, já vinha sendo discutida nas disciplinas."

O professor da Anhembi Morumbi explica que, do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, não há muita diferença entre os jogos. "A maior mudança está na concepção e no projeto, pois os objetivos são distintos. O game corporativo requer o apoio da empresa parceira, e a equipe de desenvolvimento precisa de pessoas com sensibilidade para o mundo dos negócios."

Segundo Galisi, um designer de jogos começa a carreira ganhando entre R$ 1.500 e R$ 2.500 mensais, enquanto o salário de um profissional mais experiente fica em torno de R$ 10 mil. "Além de ser uma área muito recente no Brasil, muitos optam por montar suas próprias empresas", afirma.

Matéria publicada no jornal Valor em 04 de dezembro de 2014 por Edson Valente.