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CONHEÇA O TRABALHO DO ESCRITÓRIO AUSTRALIANO BKK ARCHITECTS

19/12/2014

O trio australiano BKK Architects desenha casas surpreendentes e tem paixão por projetar espaços urbanos vivos e de qualidade

Para os arquitetos Tim Black, Simon Knott e Julian Kosloff, Tóquio é uma referência fascinante, sobretudo pela energia palpável das ruas. “No futuro, o ambiente público será vital”, afirma Simon, que, nesta entrevista, conta sobre o trabalho eclético do escritório BKK Architects, fundado em 2000 em Melbourne, na Austrália.

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que 70% da população mundial viverá em cidades em 2050. Como a arquitetura pode ajudar no futuro quadro?

Essa tem sido a busca de nossa prática. Já nos envolvemos em algumas revitalizações urbanas e residenciais de grande escala – uma paixão. Não há solução específica para o tema. Cada caso requer a aproximação acurada de múltiplas organizações, com algumas questões a considerar. Primeiramente, deve-se pensar na habitação e em como podemos acomodar as massas em cidades sem deixar de oferecer bem-estar. Em segundo lugar, uma infraestrutura bem desenhada e sustentável é essencial. Por fim, existe a importância do olhar colaborativo. Também acreditamos que o espaço público se tornará cada vez mais relevante e, por isso, precisa ganhar maior consideração. À medida que os núcleos se adensam, e moradias e apartamentos encolhem, ele será crucial, o local onde tudo acontece.

A revitalização da Rua de Lonsdale recebeu vários prêmios. Que premissas orientam esse tipo de trabalho?

O projeto levou oito anos e fez parte de uma das maiores reestruturações urbanas já concebidas na Austrália. Fomos encarregados pelo governo de refazer essa área abandonada. Dandenong, a 30 km de Melbourne, era uma típica cidade industrial em declínio, com problemas como desemprego e baixa renda. A encomenda foi um plano de desenvolvimento de AUS$ 300 milhões. Preocupados com a gentrificação, construímos uma estratégia com base nas características do lugar, algo que celebrasse suas qualidades. Como poderíamos traçar um novo curso para a comunidade sem alienar quem já estava ali? então, convertemos a rua principal num bulevar, coração de toda a intervenção, plantamos mais de 300 árvores e criamos paisagens e pontos de recreação. A obra, ainda, envolveu a reforma do transporte coletivo e incluiu arte, iluminação interativa e medidas de segurança.

Como lidam com as tradições de seu país?

A paisagem – urbana ou não – representa parte fundamental da identidade e da cultura australianas. Tanto na arquitetura vernacular quanto na contemporânea, ela é sempre levada em conta. Nós também a exploramos. O artesanato configura outra forte herança aqui, e procuramos experimentar como ele pode ser traduzido numa linguagem atual.