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BRASIL, O CORAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

16/12/2014

Um número cada vez maior de empresas estrangeiras escolhe o Brasil como a sede de seus negócios na região. O tamanho da nossa economia e a posição geográfica explicam a preferência.

No início deste ano, a chinesa Lenovo, uma das maiores fabricantes de computadores do mundo, anunciou que montaria no Brasil o centro de comando de suas operações latino-americanas, antes espalhadas por diversos países da região. O movimento pode ser visto como uma tendência. Desde 2012, especialistas vêm notando uma movimentação intensa de grupos internacionais dispostos a instalar aqui a sede de seus negócios na América Latina. Os primeiros a chegar foram os bancos de investimentos e as butiques financeiras, seguidos por grandes empresas industriais, como a Lenovo, e, mais recentemente, pelos fundos de private equity. “A América Latina se tornou estratégica para os conglomerados globais”, diz o advogado Carlos Alexandre Lobo, especialista em direito empresarial. “Já não é possível administrar os negócios na região a partir de outro continente. Em função do tamanho e da importância de sua economia, o Brasil é a opção natural para abrigar as sedes regionais.”

38º é o lugar ocupado pelo Brasil no ranking de melhores países para se fazer negócios

Um ranking divulgado este ano pela Bloomberg mostra que o Brasil saltou 23 posições na lista de melhores países para se fazer negócios, ocupando o 38º lugar, à frente de emergentes como Rússia e Índia, mas atrás de países como China e Chile. O país também se tornou o principal destino de viagens corporativas do continente e aparece na nona posição do ranking mundial de nações que mais promovem feiras e seminários. Segundo a Associação Internacional de Congressos e Convenções (Icca, na sigla em inglês), foram realizados 315 eventos por aqui no ano passado – quase metade deles nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Posição estratégica

Outros motivos ajudaram o Brasil a se transformar no principal centro de negócios da América Latina. O país faz fronteira com dez nações do continente. Além disso, nossa malha aérea local e internacional – mais extensa e capilarizada do que a oferecida pelos vizinhos – dá acesso direto às principais cidades
da América do Sul. Esses mesmos fatores explicam a preferência por São Paulo e pelo Rio de Janeiro – cidades que vêm atraindo, sobretudo, empresas de óleo e gás, seguros e mineração – como sedes latino-americanas de multinacionais.

De acordo com Lobo, os investimentos em infraestrutura, acelerados por conta de eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada, vêm acentuando o fluxo de grupos internacionais para o Brasil. “Esse será mais um dos legados dos grandes eventos esportivos”, diz.

Matéria publicada na revista Exame em 29/10/2014