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INOVAÇÃO COMEÇA NA INFÂNCIA, MAS ESCOLAS DESESTIMULAM AS CRIANÇAS

25/11/2014

"Tenho um lastro da infância, tudo o que a gente é mais tarde vem da infância." A frase do poeta Manoel de Barros pode ser aplicada ao universo da inovação. O consultor especializado no assunto, Valter Pieracciani, defende que inovar é uma atitude que começa na infância, mas na maioria das vezes esse atributo se perde na vida adulta devido a escolas com pedagogia retrógrada.

"Dotados de uma mente aberta, os inovadores e as crianças são sensíveis e têm uma percepção muito aguçada do que ocorre ao seu redor. Conseguem enxergar detalhes e situações que escapam à maioria das pessoas, pois elas tendem a ver o mundo sob uma ótica carregada de restrições", destaca Pieracciani. Segundo o consultor - que atende por exemplo Embraer, Odebrecht, BRF, Bradesco e Fiat - as escolas de Ensino Fundamental nos Estados Unidos têm investido fortemente em disciplinas envolvendo o empreendedorismo e novas ideias. "No Brasil, as escolas são muito preocupadas com conteúdo curricular e as ideias das crianças que fogem do padrão não são valorizadas", diz.

Diante desse cenário, Pieracciani está distribuindo nas escolas públicas do país um livro infantil de sua autoria, intitulado "A Verdadeira Mágica". A obra conta a história de um garoto que inventou uma maquineta de jogos a partir de uma sucata de computador. Porém, um dia, sua invenção parou de funcionar e aqui começa a empreitada do garoto para consertá-la. O consultor mostra, por meio dessa história, que as ideias inovadoras não surgem de forma repentina, como um insight, e dependem sim de processos e metodologias específicas, além de trabalhos em equipe.

Pieracciani já distribuiu 20 mil exemplares do livro nas escolas públicas e a meta é atingir 100 mil até o fim do próximo ano.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 14 de Novembro de 2014 por Beth Koike