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UM LABORATÓRIO PARA ESTIMULAR A INOVAÇÃO

19/11/2014

No subsolo do centro administrativo da Samsung, um prédio de 43 andares localizado ao lado da estação de metrô Gangnam – a região mais nobre da cidade, que serviu de inspiração para o hit “Gangnam Style”, de 2012 – uma pequena sala com decoração moderna e despojada abriga o recém-criado laboratório de ideias da companhia.

A estrutura, que conta com equipamentos como impressoras 3D para a criação de protótipos, foi criada para fomentar o desenvolvimento de novas ideias para produtos e serviços na área de tecnologia e pode ser usada por qualquer pessoa. Basta fazer um agendamento.

Mas o grande objetivo do laboratório é estimular a criatividade dos funcionários da própria fabricante. Grandes empresas geralmente têm dificuldades para detectar novas tendências e desenvolver produtos para atendê-las. Com estruturas e processos estabelecidos, fica difícil tomar o risco de investir em atividades que não são sua área principal.

Com essa visão restrita, grandes grupos deixam aberto o caminho para que empresas iniciantes ataquem esses nichos e roubem seus consumidores e até mesmo seus funcionários, especialmente os mais jovens. “Eles estão mais interessados no processo, e não no objetivo em si. Você tem que criar esse ambiente”, disse Bo-Young Shin, gerente do Samsung Creativity Lab.

Para desenvolver suas ideias, os funcionários ganham licenças de até 12 meses de suas atividades cotidianas. Ao fim do período, não há nenhum compromisso de entregar um produto que será usado pela companhia. “O mercado está mudando muito rápido. Devemos esquecer os modelos de sucesso do passado. Os atuais negócios da Samsung podem desaparecer nos próximos 5 ou 10 anos”, disse Shin.

Desde que foi inaugurado, no começo do ano passado, o laboratório já desenvolveu 63 projetos. Entre as iniciativas estão um chapéu capaz de medir ondas cerebrais e prever um derrame, um chip que detecta cheiros e óculos que podem ser usados por pessoas com deficiências motoras para movimentar o cursor do mouse em um computador, por exemplo. Neste ano, a companhia recebeu mais de 1,1 mil ideias. Desse total, sete foram selecionadas para ser desenvolvidas.

Por enquanto, o laboratório só está em operação na Coreia, mas o objetivo é replicar a estrutura em outros países a partir do ano que vem, inclusive no Brasil. “Já estive por lá para conversar sobre isso”, afirmou Shin.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 18 de Novembro de 2014