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COM VALORIZAÇÃO MENOR, ALUGUEL TEM A PREFERÊNCIA

13/11/2014

Por outro lado, imóvel vago gera custo; investidor deve conhecer demanda

Ações promocionais para desovar estoque podem derrubar ideia de que imóvel na planta é sempre mais barato

Com a valorização rápida e alta dos imóveis (como há cerca de cinco anos), a chance de errar ao comprar uma unidade para investir era menor. Hoje, as oportunidades têm de ser garimpadas e o aluguel ganha a preferência de investimento, em vez da compra para revenda.

E, antes de fechar o negócio, é bom lembrar que, diferentemente do que se diz, nem sempre o apartamento na planta é mais barato.

Como o estoque de imóveis prontos das construtoras está elevado, muitas oferecem descontos, podendo reverter essa "lógica", lembra Bruno Vivanco, vice-presidente comercial da imobiliária Abyara Brasil Brokers.

Qualquer que seja o motivo do investimento, a compra de um imóvel exige uma intensa investigação do bairro. Porém, fazer isso e verificar se o imóvel cabe no orçamento não basta

É preciso estudar a demanda por determinado perfil de imóvel na região, comparar preços e prever os custos com a manutenção.

Um ponto essencial é calcular as despesas com documentação e a reforma do imóvel e considerar que há risco de ele ficar vago.

Se isso acontece, além de não receber os valores previstos com a locação, o proprietário arca com a taxa de condomínio, IPTU e a manutenção do imóvel. "É prejuízo", sentencia Valter Police, planejador financeiro pessoal.

DESCONTOS

Deve-se lembrar também de descontar o imposto de renda, que pode chegar a 27,5% dos rendimentos do aluguel --modalidade que é vista "como a previdência privada do brasileiro", segundo Alexandre Lafer, proprietário da incorporadora Vitacon.

Como os preços dos imóveis desaceleram, a compra é mais indicada se pensada no longo prazo ou quando há uma alternativa em mente.

Vitor Marques, presidente da incorporadora Marques, diz que muitos investidores deixam a porta aberta para usar ou dar o apartamento a alguém da família."Ele compra e aluga, mas se precisar vender, vende. Se for para deixar para o filho, ele deixa", exemplifica.

O analista de sistemas José Henrique Martins Lopes, 43, adquiriu um apartamento na planta na região central da capital paulista há dois anos. O objetivo era revendê-lo ou alugá-lo.

Mas a "concorrência" aumentou, com outros prédios que subiram no local, e ele já cogita ter o bem para uso próprio --a menos que consiga uma boa oferta para venda ou locação.

DÍVIDA CRESCE

No caso do professor Luiz Fernando Fernandes da Silva, 31, a compra foi para moradia, mas a possibilidade de investimento veio por acaso.

Como acontece com os apartamentos comprados na planta, o valor do imóvel foi corrigido durante a obra. Com o consequente aumento da dívida, ele vislumbra dificuldades para conseguir o financiamento bancário.

Se isso acontecer, terá como saída pedir o cancelamento do contrato com a incorporadora, perdendo parte do valor pago, retido pela empresa como parte de custos administrativos.

Por isso, ele tenta vender o imóvel, que se valorizou durante a obra, por cerca de R$ 100 mil (mais o valor a ser financiado). Como Silva já desembolsou R$ 70 mil, terá um lucro de cerca de 40% se fechar negócio.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 09 de Novembro de 2014