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CAI NÚMERO DE INAUGURAÇÕES DE SHOPPINGS

12/11/2014

A perda de fôlego no consumo começa a se abater sobre o setor de shoppings, que começa a recolher seus planos de expansão pelo país.

Diante de compradores cautelosos e lojistas com receio de abrir mais pontos de venda, empreendedores de shoppings cancelaram ou postergaram muitos dos projetos previstos para 2014.

Dos 44 empreendimentos que haviam sido anunciados para este ano em todo o país, só 11 foram abertos até agora, segundo a Abrasce (Associação de Shopping Centers).

Como base de comparação, em 2013, dos 42 previstos, 38 entraram em operação no ano, segundo Luis Ildefonso da Silva, diretor da Alshop, entidade de lojistas.

São esperados mais 14 até o fim do ano, quando as inaugurações esquentam para aproveitar o Natal, mas o número pode não ser atingido.

"Alguns foram retardados pela economia restrita. O consumidor está com propensão menor para compras", diz.

"A transferência de um ano para outro acontece por várias razões como burocracia, falta de mão de obra qualificada e atraso de lojistas, entre outras. Neste ano foi agravada pela economia estagnada", diz Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce.

O esgotamento parece ter chegado primeiro aos grandes centros urbanos.

No grupo de shoppings inaugurados, só um foi em uma capital, no Rio. Os demais buscaram outros destinos em Estados como São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

"Os grandes centros já foram atendidos pela indústria de shoppings. E, com a valorização dos terrenos nas capitais, os investimentos ficam altíssimos se comparados aos do interior", diz Silva.

INTERIOR

A alternativa do interior, porém, também enfrenta obstáculos. Para Fabio Caldas, coordenador no Ibope Inteligência, é preocupante a dificuldade de encontrar lojistas para preencher espaços locáveis fora das grandes cidades.

Segundo seus estudos, o cenário se complica desde 2013. Quase 40% dos shoppings inaugurados no ano passado estão com taxa de ocupação inferior a 50%.

As menores taxas estão nos empreendimentos localizados em cidades de menos de 1 milhão de habitantes.

Em geral, estão vagas as áreas destinadas ao cinema e às lojas satélites (as lojas menores, em contraposição às chamadas "âncoras").

"Com só 50% das lojas locadas, o shopping fica deficitário, porque ele é um condomínio, tem custos. E shopping vazio afasta consumidores e lojistas", diz Caldas.

Matéria publicada no jornal 09 de Novembro de 2014 por Joana Cunha