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RELÓGIO DA LG VAI MUITO ALÉM DE MARCAR AS HORAS

05/11/2014

A inovação tecnológica reduziu a importância dos relógios de pulso, depois que muita gente passou a usar smartphones e tablets para ver as horas. Mas pode ser que essa popularidade roubada seja restituída no futuro próximo por outra onda de inovação. São os "wearables" - dispositivos computadorizados que estão assumindo a forma de óculos, pulseiras e, principalmente, relógios.

Um dos produtos dessa nova linhagem é o G Watch, da coreana LG. Disponível no Brasil, o produto tem preço sugerido de R$ 699. Na tela sensível ao toque do aparelho, de 1,65 polegada, o usuário pode simular o aspecto de vários relógios, incluindo aqueles de ponteiro, bem tradicionais, mas o objetivo vai muito além de marcar o tempo. É outra a principal característica do dispositivo - a comunicação.

Para aproveitar os recursos disponíveis, o consumidor precisa ter uma conta do Google, que é gratuita e dá acesso aos diversos serviços do grupo, como o Gmail, de correio eletrônico, e o YouTube, o site de compartilhamento de vídeos. Também precisa ter um smartphone com Android, o sistema móvel do Google. Esse ponto é fundamental. O G Watch, como os demais relógios do tipo, é praticamente uma extensão do celular. Tem vida independente, mas os recursos são limitados sem o uso compartilhado do telefone.

Não é preciso que os dois dispositivos - o relógio e o celular - sejam da mesma marca. Testei G Watch com o smartphone Moto E, da Motorola, e tudo funcionou sem problemas.

Além da tela sensível ao toque, o relógio tem um microfone interno para reconhecimento de voz. Basta pressionar a tela para abrir um menu de tarefas. Você pode, então, ditar mensagens de e-mail para pessoas que estão na lista de contatos do seu celular. O sistema reconhece a fala - é bem eficiente com mensagens curtas - e as transforma em texto. Em seguida, encaminha a mensagem ao destino. É necessário, claro, que o endereço de correio eletrônico conste das informações armazenadas no telefone. Da mesma maneira, dá para encaminhar mensagens de SMS.

Outros comandos disponíveis incluem criar lembretes - que podem ser lidos mais tarde em sua caixa de e-mail do Google -, exibir os compromissos do dia, iniciar o cronômetro ou mostrar quantos passos você caminhou.

O reconhecimento de fala desperta curiosidade em torno do G Watch, mas a aplicação da tecnologia levanta uma dúvida: as pessoas vão se acostumar à ideia de dar ordens em voz alta a um aparelho? Ao ditar alguma coisa, o usuário precisa ter em mente que as pessoas ao lado podem ouvi-la. A questão é se o consumidor vai preferir abrir mão da privacidade em nome da conveniência, ou vai preferir fazer as coisas do jeito que são hoje - na base da digitação -, mesmo que isso dê mais trabalho.

Algumas vantagens, no entanto, são evidentes. Para quem, como eu, costuma deixar o telefone jogado dentro da bolsa ou mochila - e quase nunca ouve uma chamada - o G Watch é uma garantia de que as chamadas sejam vistas: o relógio vibra quando o telefone toca. Você pode aceitar ou recusar a chamada pelo G Watch, mas precisa do smartphone para falar.

O dispositivo pesa 63 gramas. Não incomoda no pulso, mas o formato quadradão não é o mais confortável. O design é um dilema para os fabricantes. A tela não pode ser muito pequena porque seria insuficiente para tarefas como navegar na web e traçar rotas, que o G Watch também cumpre. Ao mesmo tempo, não pode ser muito grande para não dificultar seu uso.

Recarregar o G Watch não é difícil. O aparelho vem com um base, que é conectada à tomada. Sobre essa base há uma superfície magnética sobre a qual se coloca o relógio. O ajuste é simples.

É cedo para dizer se os "wearables" vão cair no gosto do público, mas o G Watch é bom o suficiente para se levar essa tendência a sério.

Com preço sugerido de R$ 699, o G Watch permite enviar correio eletrônico e SMS, tudo por comando de voz

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 14 de Outubro de 2014