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PARA URBANISTAS, PRÉDIOS NOVOS SE FECHAM PARA VIA

07/10/2014

A substituição das casas e prédios antigos por novos empreendimentos na rua Paim mudou a configuração física e social da rua.

"Era de se esperar que um dia isso acontecesse ali. A região central está muito valorizada por causa da infraestrutura", diz Andreina Nigriello, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-diretora de planejamento metropolitano e territorial de São Paulo.

Ela pondera que, embora os novos prédios tenham trazido segurança ao local, o processo substituiu, em apenas um ano, quase toda o espírito de "vida de rua" da Paim.

Historicamente ocupada por cortiços e pequenas casas, a via perde o aspecto tradicional e absorve a rotina da indústria imobiliária, com obras a todo vapor e corretores circulando pelas construções.

"Não é defensável que a Paim continuasse como estava, mas os novos prédios são 'privativistas'", observa o urbanista Guilherme Wisnik.

Ele lembra que o Plano Diretor, aprovado em julho, sugere o oposto: integrar áreas de lazer do prédio à cidade como um todo.

"É um fenômeno natural do mercado. Os terrenos ali eram baratos, mas a região central está muito valorizada", diz Claudio Bernardes, do Secovi-SP.

Nos últimos anos, as construtoras investiram em lançamentos de pequenos imóveis na Bela Vista, justamente apostando na boa localização da região. (BA)

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 05 de Outubro de 2014