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O DESIGN PLURAL DE STEPHEN BURKS

01/10/2014

Stephen Burks

Stephen Burks, nascido em 1969, em Chicago, Estados Unidos, sonhava ser escultor, formou-se em arquitetura no Illinois Institute of Technology e fez pós-graduação na Columbia University. Em 2.000, criou uma linha de móveis para uma pequena galeria francesa, que foi inteirinha comprada pelo empresário italiano Giulio Capellini. “Foi aí que me descobri designer”, contou com exclusividade ao portal Living Design.

Hoje, atua em uma variedade tão grande de áreas quanto a abrangência de seu portfólio: da embalagem do perfume IN2U para a Calvin Klein a vasos para a marca italiana de moda Missoni, passando por uma vitrine para a Tod’s e por móveis para Cappellini, Dedon, Calligaris e B&B Italia. Suas peças têm apelo artesanal e de sustentabilidade social. Desde 2005, ele tem realizado diversos projetos em parceria com comunidades de artesãos de Cidade do Cabo, na África, que resultaram em luminárias, mesas e armários para a marca Artecnica com tramas de couro e outros materiais.

Poltrona Dala, Dedon

Entre seus mais recentes lançamentos estão as luminárias Anwar da grife espanhola Parachilna. Baseadas em formas clássicas dos anos 50, elas são moldadas em tramas de arame e brincam com os conceitos de profundidade e perspectiva. Uma das peças é composta de 96 hastes de metal de 4 milímetros cada, soldadas em um aro central e com três possibilidades de acabamento: níquel, cobre e grafite. Foram justamente estas criações que o trouxeram ao Brasil pela primeira vez. Stephen veio para a inauguração do showroom da Pontoluce, butique que vende a coleção Anwar em São Paulo. O portal Living Design falou com ele. Acompanhe trechos de nossa entrevista:

O que lhe inspira?

Meu trabalho começa quando olho para o que está ao meu redor, para as linhas, para a natureza gráfica dos objetos, da arquitetura e da moda, quando sinto as texturas.

Qual foi a primeira peça que você criou?

Fiz uns móveis para uma galeria francesa em 2000, tinha 31 anos na época, e o Giulio Capellini foi lá e comprou a coleção toda. Não achei que seria um designer. Queria ser arquiteto mesmo. Ou até escultor. Mas achei as medidas e escalas humanas mais interessantes que as das edificações.

Quando você começou a se interessar por materiais tramados na composição de objetos?

Comecei a gostar durante o trabalho que fiz com a África em 2005. Mas não é uma obsessão. Apenas gosto de estruturas maleáveis. Acho que as tramas em alguns casos, como o que criei para a Dedon, podem ser um meio de atingir uma transparência, por exemplo. E isto me encanta.

Como se dá seu processo criativo?

Ele muda a cada peça. Não tem um só processo. Às vezes estou viajando e vejo algo, ou visito uma fábrica e começo a pensar na técnica ou ainda me deparo com um material. Dependendo do caso, começo a rascunhar as formas durante um voo. É questão de manter a mente aberta e deixar a inspiração entrar.

Qual é a melhor parte do seu trabalho?

O resultado, sempre. (risos) O começo é legal, mas ver o objetivo atingido é o melhor. O mais interessante é ver como as pessoas interpretam minha visão.

O artesanato é uma solução antimonotonia em tempos em que todo mundo copia todo mundo?

Não quero ficar obcecado com o que os outros fazem, mas sei que o poder do artesanato é infinito. Ele traz autenticidade ao meu trabalho, reforça minha filosofia. Por isso gosto de trabalhar com o que chamo de alto artesanato, principalmente para marcas de luxo.

O artesanato de um modo geral está em crise: os jovens não querem aprender estes ofícios tradicionais. Você percebe esta realidade no mercado de mobiliário?

Sim. Mas é importante que a gente valorize esta mão de obra e saiba inovar. Precisamos criar uma ponte entre passado e futuro, para tornar isto atraente para os jovens. É enriquecedor ver como eles interpretam nossas ideias. Além disso, tecnologia tem forte apelo junto a esta geração, e tecnologia e artesanato podem muito bem andar juntos.

Você já criou emblagem de perfume, vitrine, vasos e móveis, para diferentes marcas. Qual foi a experiência mais divertida?

Os vasos que criei para a Missoni. Minha relação com a marcai foi pessoal e educativa, eles me receberam em sua família, jantei e viajei com eles. Passamos muito tempo juntos. Foi o projeto mais inspirador até agora.

Por que você acredita que marcas tão diferentes procuram o seu trabalho?

Consumidores conscientes querem produtos conscientes. As marcas hoje precisam se engajar em culturas locais de forma única, e é isso que eu faço. De uma forma ou de outra, sou parte de uma história que as companhias querem contar.

Qual é o desafio criativo que você gostaria de assumir?

Adoraria fazer restaurantes, casas, hotéis, spas… Ando muito interessado no design de interiores.

Seria seu retorno à arquitetura?

Ou às esculturas. (risos). Quem sabe?

Quais são seus planos para 2015?

Estou desenvolvendo móveis, luminárias, embalagens… tem muita coisa acontecendo. Você vai ver. (risos)

É sua primeira vez no Brasil? Quais são suas impressões?

Chegue hoje cedo e ainda não pude conhecer nada. É minha primeira vez, mas São Paulo me parece estranhamente familiar, me sinto confortável aqui e quero voltar outras vezes.

Matéria publicada no portal Living Design em 01 de Outubro de 2014