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PRÉDIOS SE ESPREMEM SEM PERDER O ESTILO EM SÃO PAULO

15/09/2014

Os terrenos estreitos e irregulares viraram um nicho de mercado em São Paulo.

Em um cenário de terrenos cada vez mais caros e escassos, sobretudo em regiões valorizadas, um grupo de construtoras têm abraçado geometrias longilíneas.

Área estreita impõe restrições e reduz escala para construtor

'Com terrenos caros, é preciso empilhar diferente funções', diz arquiteto

Em geral, são empresas de médio porte que se propõem a criar projetos mais exclusivos e arrojados, associados a escritórios de arquitetura com essa proposta.

São prédios com frente de 10 metros a 15 metros (o equivalente a três carros Palio estacionados em fila) em bairros com baixa oferta de terrenos e desejados para moradia, como Pinheiros, Vila Madalena, Perdizes, Pompeia, Itaim Bibi, na zona oeste, e Higienópolis e Consolação, na central.

"Como os terrenos em São Paulo são escassos, a gente consegue estar melhor localizado que os grandes incorporadores por não termos uma fórmula de repetição", diz Luiz Felipe Carvalho, sócio da Idea!Zarvos, conhecida por projetos tão ousados quanto estreitos, como o Itacolomi 445.

O público-alvo são pessoas que valorizam projetos arquitetônicos inovadores e dispor de boa infraestrutura. Para isso, topam pagar até 20% mais.

É o caso da gerente de projetos Thais Pugliese, que comprou um dúplex no Unitt Pinheiros, da construtora SKR, com projeto da Adesa e de José Ricardo Basiches. Ela diz ter pago R$ 9.000 o metro quadrado, contra R$ 7.500 da média da região, mas avalia que a valorização será maior.

"Tudo nele é diferente. É um projeto racional, com área comum compatível a quem trabalha muito", diz.
ÁREA COMUM

Ainda que os apartamentos não sejam necessariamente pequenos (uma unidade pode ocupar um andar inteiro), as áreas comuns costumam ser enxutas –no próprio térreo ou na torre.

"O morador se sente mais em casa. Não fica diluído no meio de uma multidão", diz Eudoxios Anastassiadis, da construtora Alfa Realty.

O escritório de arquitetura Triptyque vê as áreas estreitas e irregulares como uma tendência para "projetos especiais", à medida que "as pessoas estão cansadas de megaprédios, sem identidade".

Com projetos desse perfil no portfólio, a empresa franco-brasileira criou a IV Incorporadora, que fará o AIR Madalena, com 10 m de frente e 368 m² de área total do terreno –um empreendimento mais convencional costuma ter em torno de mil m².

"É a volta do 'predinho de bairro', que se deixou de construir nos últimos 20 anos", diz Eduardo Andrade de Carvalho, da Moby Incorporadora.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 14 de Setembro de 2014