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NO PAPEL, 'PARQUE' NO MINHOCÃO JÁ ATRAI PRÉDIOS

01/09/2014

Desde que a demanda pela transformação do Minhocão em parque suspenso ganhou apelo e visibilidade, já apareceram três novos empreendimentos "lambendo" o elevado de 2,8 km.

Dois deles surgiram após o novo Plano Diretor, aprovado em julho, determinar a progressiva desativação da via suspensa, a partir de um projeto de lei que estabeleça fases e prazo -hoje esses detalhes não estão previstos. A lei estabelece a possibilidade de demolição ou de transformação do espaço em parque.

Hoje, o elevado fecha à noite e aos domingos e feriados.

O primeiro lançamento foi da construtora Helbor, na Vila Buarque. Terá 226 apartamentos. A menos de uma quadra dali há um projeto da incorporadora MAC. E, também da MAC, o lançamento de um edifício de 311 unidades de um dormitório, perto do metrô Marechal Deodoro.

São os primeiros empreendimentos em muitos anos. Corretores que trabalham na região dizem não se lembrar quando teria sido o último.

Esperando valorização, proprietários da região já começaram a "segurar" a venda de apartamentos, diz a corretora Fernanda Sampaio, 64.

Em Nova York, as imediações do High Line -via que virou parque e costuma ser comparada ao Minhocão- sofreram uma supervalorização que expulsou moradores antigos. Em São Paulo, o entorno do elevado é uma das poucas áreas do centro onde pessoas de renda mais baixa ainda conseguem morar.

REGULAÇÃO

Para João Whitaker, da FAU-USP, a valorização é característica "inexorável", mas não necessariamente indesejável, "desde que o poder público se antecipe e regule o mercado para garantir o direito de quem já está lá".

A tendência de valorização dos centros, que acabam inacessíveis aos mais pobres, é internacional, diz o urbanista Kazuo Nakano.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 31 de Agosto de 2014 por Vanessa Correa