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FESTA DO PIJAMA PARA EXECUTIVAS SE CONECTAREM

10/07/2014

Shelley Zalis, presidente da Ipsos OTX, organizadora do encontro, diz que as mulheres nas empresas podem ajudar a criar bons relacionamentos com consumidores. Foto: Claudio Belli/Valor

Reconhecer as diferenças entre homens e mulheres para aproveitar as melhores habilidades de cada um é o primeiro passo para aumentar a participação de executivas no topo das organizações. Mas o caminho até lá inclui outras mudanças, como aumentar a confiança das profissionais e mudar as regras do jogo para que as oportunidades de crescimento sejam oferecidas e aproveitadas por todos aqueles que acumulam responsabilidades fora do emprego.

É com isso em mente, aliado à vontade de proporcionar a profissionais mais jovens as chances que ela mesma não teve no caminho para o topo, que a presidente da empresa de pesquisas de mercado Ipsos OTX, Shelley Zalis, criou no ano passado o Ipsos Girls’ Lounge. A rede de relacionamentos entre profissionais mulheres das áreas de publicidade, marketing e pesquisa começou como uma espécie de “festa do pijama” no congresso de tecnologia e produtos eletrônicos CES, nos Estados Unidos.

Em meio ao encontro do setor majoritariamente masculino, Shelley convidou algumas amigas para passar a noite em seu quarto de hotel, e pediu que elas chamassem outras colegas. Em três dias, 200 mulheres participantes da conferência passaram pelo encontro paralelo organizado por Shelley. Desde então, ela organiza espaços em congressos e eventos com a intenção de reunir as participantes para que troquem experiências e façam networking – enquanto aproveitam para fazer o cabelo, a unha ou ter consultoria de imagem. Ao todo, 2.500 mulheres já participaram de eventos como esse – o mais recente aconteceu na premiação de publicidade Cannes Lions, na França.

“Quis criar um espaço onde mulheres pudessem se conectar, independentemente da senioridade ou do tipo de empresa onde trabalham”, diz Shelley. Não seria muito diferente de encontros que profissionais homens promovem enquanto jogam golfe ou tomam cerveja, mas há uma diferença que, para a americana, representa justamente a diversidade de pensamento entre homens e mulheres. “No campo de golfe, você fecha negócios. No Girls’ Lounge, conhece pessoas e cria novos relacionamentos”, diz.
“No geral, eles são mais cognitivos, diretos e pensam de forma mais linear, enquanto elas são mais emotivas, usam a intuição e pensam no contexto. No passado, os negócios eram feitos apenas com base no desempenho financeiro, mas hoje é preciso pensar nas pessoas”, explica. Desse modo, Shelley diz que não defende a adoção de cotas por questões de gênero, e sim por habilidades e traços de personalidade. “As empresas precisam criar engajamento, o que não é uma atividade linear. As mulheres são ótimas, por exemplo, em criar relacionamentos com consumidores. Ter esse equilíbrio de habilidades é mais importante do que nunca”, enfatiza.
Shelley acha que encontros como esses são importantes tanto para ter conversas que ajudam a gerar mudanças nas empresas dessas executivas quanto para melhorar a autoestima das profissionais. “Quem está no comando precisa se perguntar se as regras existentes ainda fazem sentido ou se precisam ser adaptadas”, ressalta. No caso das mulheres como um todo, ela acha que é importante criar mais confiança e redefinir os conceitos de perfeição e equilíbrio. “Os homens têm mais confiança no que fazem, enquanto as mulheres se esforçam demais para atingir a perfeição. Somos muito duras com nós mesmas e com outras mulheres”, diz.
Matéria publicada pelo Jornal Valor Econômico em 10 de Julho de 2014.