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LIVRO ANALISA PROJETOS PAULISTANOS DE DESIGN

24/06/2014

Obra reúne criações do escritório Cauduro Martino, que fez sinalização da av. Paulista.

A profusão de letras e sinais da avenida Paulista se alterna com imagens de Brasília organizada, celebrando na paisagem sem história a implantação da utopia modernista no país. Esse contraponto entre caos e ordem conquistada é o "prólogo visual" de "Design Total - Cauduro Martino".

As fotos dos anos 1960, de João Carlos Cauduro, foram escolhidas pelo autor Celso Longo para instigar o leitor e apresentar uma das obras mais importantes da história do design do país.

O volume analisa cinco projetos dos arquitetos João Carlos Cauduro e Ludovico Martino: Metrô de São Paulo (1967), zoológico (1972), avenida Paulista (1973), Sistema Municipal de Transportes (1974) e Banespa (1975).

Fundado em 1964, o escritório Cauduro Martino reuniu os arquitetos formados pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP nos anos 1950. Chegou a ter mais de 50 colaboradores e foi responsável pela definição do design gráfico moderno no Brasil, trazendo para o espaço urbano a criação de identidades visuais e sua normatização.

O livro "CM", publicado em 2005 e esgotado, lista 322 marcas da dupla. A morte de Ludovico Martino, em 2011, interrompeu a parceira. O escritório mudou de nome e se dedica a design estratégico.

Com reproduções de plantas, o livro de Longo se apoia nos memoriais descritivos para explorar os cinco planos, focando a amplitude da atuação do escritório.

No projeto do Metrô, além do símbolo, o escritório planejou a comunicação visual e a sinalização, detectando pontos onde se fazia premente a orientação dos usuários e planejando as camadas de informação necessárias.

De forma pioneira por aqui, a dupla fez o que hoje é chamado de "wayfinding", que tem na holandesa Mijksenaar um expoente, com os projetos de informação dos aeroportos de Amsterdã, Nova York e Guarulhos.

No projeto da Paulista, o escritório foi chamado depois que havia sido abandonada a ideia de tornar subterrâneas as vias. Eles criaram o sistema de mensagens e os equipamentos (incluindo bancos e quiosques, hoje retirados).

O resultado marcou a avenida e a cidade. Os letreiros na vertical nunca deixaram de ser polêmicos. Sintéticos no grau certo para uns, são também considerados eruditos e não inclusivos, tendo em vista o público de iletrados e alfabetizados funcionais.

Em todos os projetos, se expressa o conceito do design total, ideia tributária da concepção de obra de arte total do século 19 e incorporada pela Bauhaus: a ordenação racional da paisagem, em que a arquitetura organizaria e daria base para os sistemas da vida cotidiana.
Matéria publicada pelo Jornal Folha de São Paulo em de Junho de 2014.