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MERCADO IMOBILIÁRIO DE ALTA RENDA FLORESCE EM BANEÁRIOS

10/06/2014

O jogador Neymar, do Barcelona, escolheu Balneário Camboriú, no litoral catarinense, para comprar sua cobertura de veraneio. Ronaldo Nazário optou por Trancoso, a vila aninhada no extremo Sul da Bahia, para ter sua casa de praia. Os apresentadores Xuxa, Angélica e Luciano Huck escolheram Angra dos Reis. No caso de Xuxa, uma ilha. Já Tony Ramos e outros "globais" adotaram Búzios, o mais badalado dos balneários brasileiros.
Outros endinheirados, mas não necessariamente famosos, fizeram dessas cidades litorâneas seus redutos de lazer. Ao lado de Trancoso, Angra dos Reis e Búzios há uma dúzia de outros balneários, como Laranjeiras e Paraty, no Rio; Iporanga, Baleia e Ilha Bela, em São Paulo; e Jurerê Internacional, em Santa Catarina, que vêm seduzindo a freguesia de alta renda. Esses compradores são atraídos pela beleza natural de suas praias, pela badalação e principalmente pela exclusividade dos empreendimentos.
"Eles fazem suas escolhas avaliando o local, o acesso, a segurança e, mais do que isso, 'compram seus vizinhos', ou seja, desejam estar onde as famílias e pessoas da mesma 'tribo' estão", diz Roberto Coelho da Fonseca, diretor executivo da Coelho da Fonseca, especializada em imóveis de alto padrão.
Segundo Fonseca, a demanda por esses imóveis de lazer de alta renda está aquecida. Neste ano a procura cresceu 15% em relação ao mesmo período do ano passado. Ele diz que sua clientela quer um imóvel "premium", mas nem sempre gigantesco. "O que dita o padrão é o empreendimento e sua localização, não necessariamente o tamanho da unidade. Vendemos desde bangalôs de um dormitório com 60 m2 até mansões de sete suítes e 1.000 m2 ", diz o executivo.
Balneários tradicionais estão sempre se revitalizando com novos empreendimentos. Como exemplo, Fonseca cita o Frad.e Hotel Marina Golf & Vilas, onde era o antigo hotel do Frade, em Angra dos Reis. Com investimentos de R$ 350 milhões, passará a ter hotel-butique, apartamentos de alto padrão, spa, quadras de tênis, campo de golfe, heliporto e ampliação na marina. Um heliponto próprio facilita a vida de quem tem menos tempo e se desloca do Rio ou de São Paulo.
"O que mais chama a atenção é o caráter exclusivo do imóvel. Quando aceitam pagar preços altos, fazem questão de ter o seu espaço sem dividir com vizinhos ou ficar expostos demais", afirma Paulo Pinheiro, sócio-diretor da consultoria imobiliária Lopes.
Mas quem não quer ficar no Brasil pode optar por uma casa de veraneio em outro país. Punta del Este, no Uruguai, tem despontado como uma das alternativas mais sofisticadas. A construtora JHSF lançou um empreendimento para esse público, o Las Piedras Villas e Hotel Fasano – que mistura oferta de casas, terrenos e hospedagem, num projeto assinado pelo arquiteto Isay Weinfeld.
Se a escolha for pela hotelaria, a opção são os 32 bangalôs (de 80 e 120m2), restaurantes Fasano, bar, spa, piscina e quadras de tênis. Quem quer ter o canto próprio, porém, pode adquirir um terreno e construir o projeto com a arquiteta Carolina Proto (ela cobra US$ 2,8 mil o m2 construído). Rogério Lacerda, diretor de incorporações da JHSF, diz que esse valor inclui a casa pronta com marcenaria, áreas molhadas, ar-condicionado, forro, aquecimento no piso etc. Se o cliente quiser comprar, por exemplo, uma Cabanã Fasano, já pronta e com arquitetura padronizada, com 180 m2, vai desembolsar US$ 1,8 milhão. Já os terrenos (em geral com mais de 5 mil m2) custam a partir de US$ 250 o m2.
E qual o perfil do comprador de um empreendimento como esse? Lacerda diz que como Punta del Este é um destino frequentado por visitantes de vários países, "o comprador em geral é quem já tem casas em outras localidades. São pessoas de alto poder aquisitivo, que gostam de viajar, apreciam exclusividade, boa gastronomia, contato com a natureza".
Há brasileiros, mas a maioria é de argentinos e europeus. Ele diz que, além do projeto uruguaio, a JHSF está atravessando outras fronteiras. Pela primeira vez, aposta num projeto em solo americano: um edifício de apartamentos em Nova York. Localizado em Nova York, na Quinta Avenida, entre as ruas 62 e 63 – uma das regiões mais nobres da cidade, com vista para o Central Park -, o projeto é do escritório Citterio and Partners, do arquiteto e designer italiano Antonio Citterio.
Matéria publicada pelo Jornal Valor Econômico em de Maio de 2014.