Quartos: A caminho da revolução

É difícil pensar em um estilo que identifique o quarto dos anos 1970, mas uma característica era comum: o excesso. Carregava se NASA tintas, e não estamos falando apenas de cores! O mesmo revestimento era usado em várias situações na colcha e nas paredes ou nas paredes e no piso. Um quarto confortável dispunha de uma profusão de tecidos e almofadas. Não era no estilo, porém, mas na planta das casas, que uma mudança radical se delineava: a cada quarto, devia coresponder um banheiro. Nascia a suíte, ainda como um luxo para poucos.

Por uma base neutra no processo de depuração que inaugurou a década, expurgaram-se os tons fortes dos anos anteriores, varrendo para baixo do tapete (ou do carpete) todos os abusos. O que restou não exibiu uma personalidade marcante, apenas algumas nuances. As penteadeiras, que haviam sido indispenáveis até os anos 1960, e sumiram na década de 1970, deram lugar a bancadas multiuso. As metragens ainda deixavam margem a outros móveis e a uma boa circulação. “Nessa época, a parafernália eletrônica começou a aparecer”, lembra o arquiteto Gustavo Calazans. E ela se instalaria nos quartos, obrigando a uma série de malabarismo.

As funções se multiplicam a marcenaria sob medida nunca pareceu tão necessária. Todos queriam precisavam! Organizar os novos aparelhos eletrônicos, que não eram poucos nem pequenos. Móveis com rodízio trouxeram liberdade de composição e de circulação em quartos com aparelhos de televisão e de som, além dos já inseparáveis computadores. “Tudo estava relacionado a uma crescente individualização”, ensina Calazans. As áreas já não eram tão generosas para tantos apetrechos. Afinal, a suíte havia sido incorporada ás plantas de forma definitiva, tornando esse cômodo cada vez menor. A sorte é que também os aparelhos encolheram.

“Já  não há regras no ano 2000”, diz Gustavo Calazans, que traz a tona, novamente, a questão do espaço. Nos quartos do novo milênio, as demandas são as mesmas, mas a TV fica na parede, como um quadro. Os CDs foram substituídos pelo iPod, que cabe na palma da mão. Algumas cabeceiras foram dispensadas. Criados mudos já não precisavam ser iguais e nem ser criados mudos bancadas, cômodas e banquetas podiam muito bem substituir lós, ainda que o futuro aponte da exiguidade do espaço. Mesmo assim, o aconchego é fundamental. O mundo intuiu o conforto apenas no século 18. Mas nunca mais pudemos viver sem ele.

Matéria originalmente publicada no: Casa Claudia Fevereiro/2012

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