JULIA KRANTZ, DESIGN E TÉCNICA EM PERFEITA SINTONIA

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Julia Krantz desenhou seu primeiro móvel aos 10 anos. Era fã dos Beatles, assistia todos os documentários da banda e foi num deles que se encantou com a cama do John Lennon. “Ela era escavada no piso e eu quis ter uma igual. Como morava num apartamento, desenhei um tablado com alguns degraus para acessar o colchão. Foi um marceneiro conhecido do meu pai que executou a peça”, recorda-se.

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A vontade de criar mobília voltou à tona durante as aulas de design industrial na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), nas quais ela construiu o protótipo de uma cadeira batizada Tripé. “Nessa época eu me apaixonei pela madeira e pelo trabalho na oficina”, conta. Não por acaso a tese de graduação de Julia foi a chaise-longue Baleia. “Nessa altura, eu já havia decidido me dedicar a design de móveis.”

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No ateliê localizado no bairro paulistano Vila Romana, Julia Krantz molda a forma do objeto num bloco de isopor e depois o recorta em várias fatias. Cada uma delas serve como modelo para o corte na madeira.

Começou a produzi-los na garagem de casa, aplicando a técnica de laminado prensado aprendida com Piero Caló na escola Cose di Legno, em São Paulo. Em 2000, abriu a própria marcenaria. “Dois amigos designers me ajudaram a concretizar esse sonho: André Marx, que listou todas as máquinas das quais eu precisaria, e Sergio Fahrer, que me acompanhou nas lojas do Brás e negociou ótimos descontos para elas”, revela.

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O mestre marceneiro Luiz Carlos foi outra aquisição desse período. “Ele está comigo desde o início e é um remanescente da boa marcenaria que já existiu no Brasil”, comenta Julia. Luiz, por sua vez, confirma a bem-sucedida parceria. “Nosso ‘casamento’ deu certo, são 17 anos juntos”, brinca ele, que aprendeu o ofício aos 12 anos em Campos de Jordão.

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De cedro naval, a poltrona Suave é a peça mais vendida e publicada da coleção da designer. Ao lado dela, a escultura O Vaso traz os exemplares numerados um a um.

O jeito tradicional de trabalhar a madeira com ferramentas manuais sempre atraiu a arquiteta-designer. “Um tampo de mesa finalizado com plaina garante um acabamento impecável. Isso é raro hoje em dia”, afirma. Foi o interesse por técnicas antigas, aliás, que aproximou Julia de Morito Ebine, japonês radicado no interior de São Paulo, a quem ela considera seu guru. “Nos conhecemos em 2006, quando visitei seu ateliê em Santo Antônio do Pinhal. A partir daí, eu o convenci a me receber todas as segundas-feiras. Nessa observação constante, entendi como tratar a matéria-prima maciça, aprendi novas técnicas artesanais e uma forma mais racional de planejar a produção.”

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O conjunto de ferramentas reúne itens pouco usados hoje em dia, como as diversas variações de plainas, formões e goivas.

Esses encontros duraram até 2016 e renderam, além de muito conhecimento, a parceria na criação da cadeira Weg e a amizade com o carioca Fernando Mendes, outro designer mestre na marcenaria que também frequentou o espaço de Morito. “Acabamos formando uma confraria”, conta Julia. Em abril deste ano, o trio organizou a exposição Artífices da Madeira no Casarão do Chá, em Mogi das Cruzes, no interior paulista, com as peças de autoria deles.

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O centro de mesa Folha (à esq.) emprega madeira andiroba. Já as gamelas, cedro naval (nas medidas 50 cm e 18 cm de diâm.) e jatobá (30 cm de diâm.).

De formas orgânicas e robustas, as peças de Julia têm identidade própria e são influenciadas pelas obras do espanhol Antonio Gaudí, do dinamarquês Hans Wegner e do norte-americano Frank Lloyd Wright.

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De linhas orgânicas e madeira sumaúma, a cadeira de balanço Mir foi concebida por Julia em 2010. As linhas sinuosas deixam mais leve a peça de grandes proporções.

Curiosa e boa aprendiz, Julia frequenta agora um curso de escultura para aprimorar sua capacidade de utilizar as goivas suíças para entalhes que comprou já há algum tempo. Veia artística não lhe falta, é verdade. Além de criar móveis e objetos, ela se dedica há sete anos a fazer gravuras no curso do renomado Evandro Carlos Jardim. “Era um hobby, mas tenho pensado cada vez mais em comercializar essas obras.” Insetos têm sido seu tema preferido no papel e, não por acaso, sua mais nova criação tridimensional, ainda a ser finalizada, traz o animal incrustado numa gamela de madeira. Outro plano futuro é desenhar luminárias. “Sempre quis fazer peças com luz e acho que chegou a hora de investir nessa ideia.” Os fãs do trabalho de Julia Krantz torcem para que isso realmente aconteça.

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A escultura Concha, pensada para servir de revisteiro, combina tauari com roxinho. As texturas variam conforme o corte dos laminados.

Para acessar  a loja de Julia Krantz  na Boobam, basta clicar aqui.

Matéria publicada por Eye4Design em 06 de junho de 2017

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