REFORMA NEM SEMPRE FAVORECE A VENDA

Para agentes do mercado, obra ‘clássica’ ajuda a comercializar o imóvel, mas personalizar demais pode dificultar um negócio posteriormente

Reforma

Depois que seu ex-marido morreu, a cabeleireira e maquiadora Mayane Malta de Mello precisou reformar o apartamento inteiro da ex-sogra. “Estava deteriorado e ela, uma senhora de 80 anos, não tinha condições de tocar a obra.” Ela contratou uma empresa e trocou toda a parte elétrica, hidráulica e raspou e pintou as paredes. A obra custou R$ 14.500.

Mayane diz que, antes da reforma, uma amiga corretora havia avaliado o imóvel em R$ 220 mil. Depois de pronta, ele passou a valer R$ 400 mil, de acordo com a profissional.

A cabeleireira fez o que os especialistas recomendam para valorizar ou facilitar a vende de um imóvel, uma “reforma clássica”, que ressalta aspectos do apartamento sem afetar a estrutura ou personalizar o imóvel. Ao mesmo tempo, quem atua no mercado imobiliário também destaca que personalizar demais o imóvel com uma reforma pode sim dificultar a venda.

Segundo Flávio Prando, vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Sindicato da Habilitação (Secovi-SP), não é possível calcular a valorização que uma reforma traz, no entanto, pode deixá-lo mais atrativo e aumentar a sua liquidez.

“Se um imóvel estiver desatualizado, ou seja, com pisos antigos, azulejos no tamanho 15cm x 15cm ou com figuras, como nos imóveis antigos, uma reforma que adote pinturas resistentes à unidade ou cerâmicas maiores, do tipo 40×40 ou 50×50, aumenta o seu poder de venda”, afirma.

No entanto, ele ressalta que a opção por atualizar os pisos com elementos e cores que não sejam do agrado geral, como preto, por exemplo, pode criar dificuldade para encontrar clientes com o mesmo gosto.

Prando também orienta o dono do imóvel a manter os ambientes com a arquitetura padrão do prédio, em vez de derrubar paredes para abrir cômodos, personalizando demais o imóvel.

A este respeito, Hubert Gebara, diretor da administradora de condomínios Hubert, tem um exemplo. “O meu filho comprou um apartamento de três quartos e resolveu abrir os ambientes e deixar apenas dois. Quando ele foi vender, não encontrava interessados porque quem procurava um imóvel naquele prédio queria três dormitórios”, reforça o diretor Hubert Gestão Imobiliária, Hubert Gebara.

Avalie. Segundo o CEO da imobiliária VivaReal, Lucas Vagas, há ponderações que devem ser feitas antes da reforma. E exemplifica: no bairro onde o preço médio é R$ 400 mil, se for feita uma reforma para o imóvel valer R$ 800 mil, ninguém vai comprar. “Certamente, o eventual interessado vai avaliar que, por esse valor, pode comprar um imóvel em uma região mais valorizada.”

No entanto, afirma, algumas pequenas mudanças podem fazer a diferença. “Se a casa custa R$ 500 mil, tem um jardim e quintal talvez reformar a parte externa possa custar R$ 15 mil e, deixando esta área mais atraente, se consiga R$ 560 mil pelo imóvel, resultando em valorização de R$ 45 mil.”

Vargas lembra que uma reforma pode compensar financeiramente em outro ponto: pagar menos Imposto de Renda. “O valor do IR sobre a venda do imóvel é calculado sobre o ganho de capital (valor da venda, menos o valor da compra, menos reformas que o proprietário tenha feito). Se a pessoa comprou um imóvel por R$ 500 mil e o vendeu por R$ 700 mil, mas fez uma reforma que custou R$ 50 mil, o imposto é calculado somente em cima de R$ 150 mil, e não sobre os R$ 200 mil da diferença entre valor de compra e de venda”, explica.

De acordo com o CEO, nos Estados Unidos é feita a medicação de todos os aspectos de uma reforma. E os agentes do mercado imobiliário estimam que o retorno do investimento médio pode chegar a 60%. “Claro que depende do tipo de imóvel e do tipo de reforma que foi executada”, afirma.

Entrevista  Denise Bertolini, designer de  interiores

Profissional sugere reaproveitar móveis e material na renovação

A designer de interiores Denise Bertolini, do escritório Beliarq, afirma que atua para valorizar o que existe de bom no imóvel, quando apresenta o projeto de reforma. “É uma forma de economizar financeiramente e tornar a obra sustentável, evitando que um volume de material maior vá para o lixo.”

Qual o primeiro aspecto que você avalia quando elabora o projeto?

Eu escuto o que o cliente espera como resultado da obra e vejo se tudo o que ele pede para trocar, realmente é necessário. Às vezes, somente uma parte do piso está quebrada e precisa ser substituída. Mostramos esta opção e explicamos que isso pode deixar a obra mais em conta. Também damos a dica para restaurar piso de madeira, por exemplo, em vez de trocar.

O que, normalmente, você costuma reaproveitar?

Há móveis que, de fato, não têm condições de serem reaproveitados, mas muita coisa dá. É possível, por exemplo, laquear (passar camada de tinta por tinta em cima do acabamento existente) em um armário embutido e deixá-lo lindo de novo. Também dá para reaproveitar louça, metal ou uma bancada… Alguns móveis podem ganhar outras funções decorativas na casa. É só deixar a criatividade aflorar

Matéria publicada pela jornalista: Márcia Rodrigues do, O Estado de São Paulo em 17 de julho de 2016

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