DESIGN DE SUPERFÍCIE

TÉCNICA ESTÁ CRESCENDO NO BRASIL JUNTO À BUSCA POR EXCLUSIVIDADE

Todas as formas têm superfície e podem receber algum revestimento ou tratamento, uma cor ou textura. Mesmo assim, o campo que estuda especificamente essa área ainda é pouco conhecido no Brasil. Ele começou a ser estudado na década de 1980, mas somente em 1987 o termo “Design de Superfície” foi importado dos Estados Unidos por Renata Rubim, designer e consultora de cores. Apesar de em outros países ele ser entendido apenas para segmentos específicos, aqui ele pode ser aplicado em qualquer superfície existente, seja têxtil, cerâmica, de papelaria, embalagens, decoração, plástico e tudo mais que houver.

Para os próximos anos, muitos profissionais são otimistas e acreditam que a identidade brasileira vai se consolidar no design de superfície. E, com a consciência ambiental e a busca por exclusividade em alta, novas possibilidades para esse campo surgem, com o aproveitamento de novas tecnologias menos agressivas e até o resgate de práticas mais antigas e artesanais. Para as marcas de moda, ter mais especialização na área pode ser muito útil. Nas páginas a seguir, profissionais da área explicam por quê.

Sobras de fios, tecidos e outros materiais devem representar lixo para a maioria das pessoas. Mas não para Anne e Evelise Anicet que, em novembro de 2010, criaram a Contextura, misto de loja, ateliê e galeria de arte. Elas trabalham com o reaproveitamento de resíduos têxteis, em parceria com o Banco de Vestuário de Caxias do Sul (RS), confeccionando bolsas, blusas, casacos, colares e tudo mais que a imaginação permitir.

Na contramão do afã fast fashion, elas escolheram ser sustentáveis até mesmo na hora de vender. “Nós trabalhamos em um contínuo, uma evolução. Estamos lançando a coleção de inverno quando as lojas já começam a fazer liquidação. Mas o frio está apenas começando. Nós trabalhamos com o slow fashion, contra o frenesi consumista. Queremos ser sustentáveis até no estilo de vida”, afirma Evelise. Para confeccionar as peças, elas utilizam técnicas como a colagem têxtil, que gera texturas tridimensionais, e a sublimação, que gera texturas bidimensionais.

Anne é professora de moda na UniRitter, em Porto Alegre (RS), e tinha, até pouco tempo, uma marca de roupas homônima. Evelise dá aulas de design na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Juntas, elas fazem justamente design de superfície.
[photopress:COLE____O_ISTILO_INVERNO.jpg,full,pp_image]

UMA HISTÓRIA RECENTE

Pouco conhecido no Brasil, esse campo começou a ser estudado, aqui, na década de 1980. Em 1998, a designer e consultora de cores Renata Rubim trouxe o termo importado dos Estados Unidos, onde estava estudando.

Somente em 2005, o CNPq o reconheceu como uma área do design. Aos poucos, no entanto, o termo começa a ser mais difundido no país. Entre tantas áreas em que ele pode ser aplicado, Anne e Evelise escolheram a moda. EM suas criações, trabalham com superfícies irregulares, formando peças únicas ou criadas em escala limitadíssima (mas que uma ficam totalmente iguais umas às outras).

“O design de superfície sempre existiu, mas as pessoas nunca se deram conta. Todas as formas têm superfície e são possíveis de receber algum revestimento ou tratamento, uma cor ou textura, mas é tudo no ´achismo´. E isso é um dado de uma pesquisa que está sendo apresentado por uma mestranda orientada por mim”m explica Evelise. Ela entrevistou diversos profissionais da área de decoração de interiores, entre arquitetos, designers e decoradores, e nenhum havia feito estudo de identidade para compor ambientes.

Profissional da área há muitos anos, Wagner Campelo acredita que essa ausência de conhecimento se deve pela falta de divulgação: “O design de superfície não é muito difundido por aqui, e isso faz com que ele seja pouco compreendido, e menos ainda valorizado. A maioria das pessoas não faz ideia da abrangência desse ofício, apesar de estarem rodeadas por uma infinidade de produtos que sofreram intervenção de um profissional do setor”.

Fora do Brasil, o campo de estudo é entendido apenas para os segmentos têxtil (Estados Unidos) e de revestimentos (França). Aqui, segundo Wagner Campelo, é voltado para todas as superfícies existentes. No têxtil, a maior área de aplicação, o trabalho pode ser dividido da seguinte forma: estamparia, tecelagem, jacquard, malharia e tapeçaria. Em papelaria podem ser criadas estampas e texturas para papéis de parede, de presente ou para scrapbooking, embalagens, material de escritório, produtos descartáveis (guardanapos, copos, pratos, bandejas).

A área da cerâmica compreende criações de padronagens, formadas e texturas para revestimentos de pisos e paredes (lajotas, azulejos, etc.) e também decoração de louças. Existem ainda os materiais sintéticos, como o plástico, a borracha e a fórmica, para os quais também podem ser criadas estampas ou texturas. “Mas o campo de atuação pode ser ainda mais amplo, principalmente se considerarmos as novas tecnologias e as interfaces virtuais (superfícies digitais)”, explica. Renata Rubim lembra que até na área educativa de inserção social o design de superfícies está presente: “Nos itens para deficientes visuais, por exemplo”.
[photopress:BOLSA_DO_WAGNER_CAMPELO.jpg,full,pp_image]

EM QUAL CAMPO APOSTAR

[photopress:PAREDE_DA_JULIANA.gif,full,pp_image]
Assim como a Contextura, que já tem a sustentabilidade intrínseca à sua filosofia, designers são quase unânimes ao dizer que hoje o campo pode estar muito ligado à consciência ecológica.

Mariana Foltran, por exemplo, afirma que não pensar na reciclagem ou no reaproveitamento da matéria-prima em pelo menos uma parte do processos que nos ajudam a economizar os recursos naturais evitando assim o gasto excessivo de água, de energia, de materiais e de dinheiro”.

Já Juliana Eigner e Wagner Campelo lembram que a estamparia digital vem tomando força e produz menos detritos em relação às técnicas convencionais. Campelo também cita, ao contrário dos avanços, um retorno às técnicas antigas como forma de preservar. “Existem designers e pequenas empresas (como a Galbraith & Paul) que estão retomando antigos métodos e processos de estamparia, como a feita através de carimbos, oferecendo soluções personalizadas e mais artesanais, que não requerem o uso de grandes máquinas e equipamentos sofisticados”. Isso, claro, além da utilização de fibras e substratos orgânicos, corantes e pigmentos naturais, que também são alternativas de propostas sustentáveis que podem ser exploradas em projetos.
Em qualquer organização, Renata Rubim diz que o design de superfície pode ser uma fonte de possibilidades: “As empresas podem utilizar os projetos para agregar aos seus produtos qualidade, tatibilidade, estética ou até informação”. E, especificamente para as marcas de moda, profissionais da área mostram que esse campo de conhecimento pode ser uma ferramenta muito útil.

“Quem não quer usar estampas?”, pergunta Juliana Eigner. “Ainda mais exclusivas, que contam uma história e podem transmitir a linha de raciocínio de uma coleção. Vejo como uma tendência: quanto mais exclusivo, mais pessoal, mais personalizado. Até pequenas confecções já estão investindo alto em padrões exclusivos”, garante a designer.
Para Juliana, o design de superfície dá vida à moda, à decoração, a produtos, papelaria, embalagens e acessórios: “É um mercado muito completo, cheio de possibilidades de atuação”. Wagner Campelo vai mais além: “As possibilidades não estão apenas no campo da estamparia (propondo novas aplicações, técnicas e processos de estampagem). Mas também da tecelagem e malharia, por meio de novas matérias-primas, resultados visuais e táteis diferenciados em termos de acabamento, relevos, texturas, transparências, etc. Como tem capacidade para atuar sobre os mais variados materiais e suportes, o designer de superfície pode complementar e aperfeiçoar de muitas maneiras o trabalho do designer de moda”.

FUTURO PROMISSOR

Quanto às perspectivas, todos são otimistas. “Estou animada”, é o que diz Juliana. A designer acredita que, em contrapartida à desvalorização que há com o que é “made in Brazil”, os olhares estão começando a se voltar para dentro. Os modelos ultrapassados estão, pouco a pouco, sendo deixados de lado, e logo, a identidade brasileira no design de superfície vai virar referência para todos, assim como o italiano já é”, explica. Mariana concorda, afirmando que o Brasil está criando sua originalidade: “Com conhecimento, criatividade e pesquisa, todas as ramificações vão crescendo em conjunto”.

Para Wagner, entretanto, o futuro ainda não está tão definido: “Num panorama cada vez mais vertiginoso em termos de evolução tecnologia, no qual as freqüentes mudanças dos métodos de produção e dos estilos de vida não param de acontecer, não me arrisco a das nenhum palpite”. O designer está confiante, no entanto de que o desenvolvimento e a ampliação desse campo do designer será tão constante quanto o surgimento de novas tecnologias, novos materiais, suportes e possibilidades de aplicação. Para os próximos anos, o design de superfície caminha para aproveitamento de tudo que as novas tecnologias oferecem e proporcionam.

Além disso, leva à investigação profunda de novas texturas, volumetrias, luz e cores, segundo Renata Rubim. Com relação à sustentabilidade, novas pesquisas ainda estão sendo feitas, que poderão confirmar em breve como essas práticas podem ser benéficas para o meio ambiente. Em seu pós-doutorado, Evelise Anicet irá estudar a união entre o design de superfícies e a sustentabilidade. “Às vezes, a gente acha que está fazendo um trabalho ecológico, mas está gerando o efeito rebote. Em que gasta, por exemplo, muito mais energia ou outros materiais. No final, acaba sendo mais caro do que outros processos”, explica. Nos próximos meses, ela irá se dedicar a esse estudo.

Para as empresas que ainda não estão se aperfeiçoando nessa área, a “importadora” do termo para o Brasil, Renata Rubim, afirma que se elas quiserem ser competitivas, é fundamental que se desenvolvam no design de superfície: “A tendência é geral”.
[photopress:POLTRONA_DA_JULIANA.jpg,full,pp_image]

BUBBLE LONDON

LANÇAMENTOS INFANTIS VERÃO 2012/13

Voltada para o mercado infantil, a feira Bubble London apresentou as novidades para a verão 2012/13, entre os dias 19 e 20 de junho, no Business Designer Center, em Islington, Londres.

Considerado uma referência internacional, o evento contou com 250 expositores de vestuário, calçados e acessórios, de 23 países, sendo que entre eles, 55 eram estreantes oriundos do Reino Unido. Use Fashion cobriu dezenas de estandes para o portal usefashion.com e traz alguns deles a seguir:

A marca Babycottons apostou em vestidos e macacões para a temporada, em que os aviamentos e os detalhes delicados deram o acabamento.
Nos modelos femininos, babadinhos e franzidos adornam as peças. Já, no masculino, bolsos e botões em destaque. Na cartela de cores, azul-marinho, vermelho, rosa – bebê e branco.

Extremamente romântica e retro, com um toque compestre, a coleção da Bonnet à Pompon deu ênfase para as estampas florais e listradas. Na modelagem, bolerinhos, macaquinhos bufantes, golas com franzidos e babados em vestidos. Nos detalhes, destaque para a mistura de materiais como tricô, tricoline e linho. Já na cartela, rosa – bebê, azul – bebê, azul – marinho e tons pastel.

Frugi apresentou para os meninos uma coleção baseada na tendência surf, com modelagem de shorts com bolsos, calças mais largas e estampas com o mesmo tema. Para as garotinhas, a linha traz peças mais delicadas, como macaquinhos balonê e vestidinhos transpassados com recortes. Nas cores, verde, azul – claro, azul – marinho, Pink, rosa – chiclete e branco foram ressaltados, assim como as estampas florais e animal.

Especializada em bebês, a Green Nippers apresentou na feira macaquinhos com bolsos, apostando em peças descontraídas, com decote quadrado, bolsos arredondados, golas com babados e recortes coloridos. Na cartela, predomínio das cores amarelo, azul – bebê, rosa – bebê, amarelo – bebê, verde, azul e vermelho.

Já a Petit Bateu optou por estampas de verão, como florais pequenos e referências náuticas. O tricoline foi muito usado, assim como as transparências, que deram delicadeza e harmonia para toda a linha. Na modelagem, em destaque short balonê e macaquinho com bolsos. As cores da coleção são branco. Azul – marinho, azul – claro, lilás e rosa – bebê.
[photopress:GREEN_NIPPERS_2.jpg,full,pp_image]

Fonte: Use fashion – agosto 2011

Sobre Eliane Bosco

O “DESIGN FORUM”, um BLOG de discussão que traz informações relacionadas a Design de forma temática, com um olhar para business inovation, sustentabilidade, mobilidade e acessiobilidade, dentro de sua imensa gama de possibilidades de aplicação. Vivemos a era do Design e isso pode fazer a diferença no futuro da sua empresa. A Siq Marketing (www.siqmarketing.com.br) é uma Agência de Marketing, que organiza e realiza os eventos Design Forum. Atua nas áreas de seminaríos, congressos, foruns e workshops próprios e terceirizados, viagens para Feiras internacionais, realização de prêmios, infraestrutura para clinicas de pesquisa ações de marketing de relacionamento e cursos A Organização dos eventos é um fator diferenciado: cada tema a ser debatido no “DESIGN FÓRUM” tem um Conselho Consultivo próprio formado por profissionais de renome que juntos, irão definir a Grade dos Eventos com palestras de relevância, apresentadas por profissionais de destaque no mercado. Atualmente profissionais e as indústrias necessitam tirar vantagens das oportunidades que novos comportamentos criam. O objetivo dos eventos é fazer com que os profissionais de Design e a Indústria, saiam do DESIGN FORUM com o mesmo sentimento, o de que precisam encontrar juntos caminhos e soluções que diferenciem nossos produtos e tragam, nas alternativas de negócios, alto valor agregado. O DESIGN FÓRUM é uma referência de informação em Design. Participe! Acesse o site: www.designforum.com.br e obtenha mais informações sobre nossos eventos
Esta entrada foi publicada em Design, Superfícies. Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

2 respostas a DESIGN DE SUPERFÍCIE

  1. Renata Rubim disse:

    Super oportuna a matéria, muito boa!
    Apenas uma correção : “importei” (introduzi) o design de superfície no Brasil em 1987 e, não, em 1998.
    Abraços:)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>