TRAMA DO BEM: ARTE E TÉCNICA

No relato desse artista mineiro não faltam histórias saborosas e gente interessante que ele encontrou pela vida, como a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1912) e o arquiteto e professor Flávio Império (1935-1985). Agora a obra desse araxaense radicado em Uberlândia, MG, pode ser conferida numa pequena mostra em São Paulo. Ele conversou com A&C sobre sua produção como pintor, artista têxtil, designer estudioso de iconografia sacra.

Você firmou uma parceria com Lina Bo Bardi. Como foi isso?

Conheci a dona Lina por indicação do marido dela, o Pietro Maria Bardi [1900-1999], que era muito generoso e achou que íamos ter afinidade, então nos apresentou. Em 1972 ela foi até o ateliê em Minas para ver minha pesquisa com os repassos, padrões geométricos populares típicos das tecedeiras do triângulo mineiro – base para grande parte do meu trabalho. Nós nos identificamos fortemente e ela voltou diversas vezes nos anos seguintes, até me convidar para expor no Museu de Arte de São Paulo [MASP, do qual foi curadora, ao lado de Flávio Império]. Projetamos juntos a Igreja do Espírito Santo do Cerrado em Uberlândia, que aguarda a finalização dos interiores sacros.

O ponto forte de sua atuação é a tecelagem?

Nos anos 90, fundei um cetro com 30 pessoas de região que fiam, tecem. Até hoje batalho para levar encomendas para elas e seguimos produzindo. Chegamos a tingir tudo com matéria-prima natural, plantas, ferrugem etc. Fiz muito tecido para alta-costura, enxovais finos com as centenas de cores que desenvolvi a partir da flora tropical. Só mais tarde resolvi centrar esforços na arte utilitária e aprendi a abstrair os repassos na criação de novos designs.

Como se dá a parceria com a arquitetura?

Um dos arquitetos envolvidos na obra do Sesc Pompeia, em São Paulo, o André Vainer, me pediu uns anteparos para evitar que o som da choperia incomodasse os vizinhos. Com a ajuda de especialistas, montamos as placas acústicas com alumínio perfurado e espuma – forradas de tecidos com motivos de rádios antigos. Depois, Arquitetura, que tem como sócio outro colaborador da dona Lina, o Marcelo Ferraz. Veio então a encomenda para o auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Acabou virando uma especialidade, e hoje elaboro as peças inteiras, com desenhos executados com fios de algodão, cobre… Adoro projetar para espaços públicos, ou de uso comum, mas produzo também tapetes e painéis decorativos.

Onde e quando: Baraúna, Rua Harmonia 101, Vila Madalena. Tel. (11) 3813-3972. Entrada livre. Até 31 de janeiro de 2016.

teatro

Painéis Acústicos enfeitam o teatro Engenho Central, em Piracicaba, SP, renovado por Brasil Arquitetura e Gabriel Grinspum.

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O colorido que Edmar diz ter aprendido com a obra da artista franco-ucraniana Sonia Delaunay (1885-1979) tinge as paredes do auditório do museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, reformado pelo esmo escritório.

restauranteTambém de mesma autoria (com Luciana Dornellas e Marcos Cartum), a Praça das Artes traz no teto do restaurante a Barreira aos Ruídos.

Matéria publicada por Arquitetura e Construção em novembro de 2015

 

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