ABAJUR: ACESSÓRIO INDISPENSÁVEL AO PROJETO DO QUARTO

Luminária de cabeceira atravessa séculos. Mas mantém intactos sua mística e seu funcionamento.

Em termos de funcionamento e formato, poucos objetos variaram tão pouco ao longo dos séculos quanto o abajur: a célebre luminária de cabeceira, invariavelmente formada por corpo aclopado a uma fonte de luz, cúpula de material difusor e sistema de alimentação. Mesmo hoje, em face do avanço da tecnologia LED, a fórmula parece não dar mostras de exaustão. E continua a seduzir designers de todo o mundo.

Para o francês Philipe Starck, por exemplo, as experimentações em torno do objeto começaram 2003, ano de lançamento da icônica Miss K, um dos best sellers da italiana Flos, revisitada pelo designer a cada edição da Euroluce – o principal evento internacional de iluminação, que apresenta a cada dois anos as novidades do setor.

Em permanente metamorfose, Miss K já ganhou diversas roupagens. Sua cúpula, a princípio, era de linho. Depois, ressurgiu de metacrilato – um acrílico de última geração -, até que, em sua última versão, apresentada em abril, em Milão, seu difusor interno passou a ficar inteiramente exposto.

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As múltiplas versões do abajur Miss K, de Philipe Starck

“No caso da Tatou (tatu, em português) procurei traçar uma cúpula que atuasse como um filtro específico. A ideia foi criar um jogo tão harmonioso de luz e sombra, a ponto de colocar as duas propriedades em patamar de igualdade”, declara a espanhola Patricia Urquiola, que se inspirou na carapaça do mamífero – assim como nas armaduras dos guerreiros japoneses – para criar a luminária também da Flos.

“Comecei observando diferentes formas de obter uma cúpula que funcionasse como uma membrana. Houve, então, um processo de síntese, com superfícies perfuradas e sobrepostas de policarbonato, que conferiram um resultado tridimensional à luz emitida”, relata a designer, que situa como principal desafio do projeto obter um produto passível de ser produzido em massa. Mas que, ainda assim, mantivesse fortes conotações artesanais.

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O abajur Tatou, de Patricia Urquiola, para a Flos

Nesse sentido, o vidro soprado, material de extração artesanal, por tradição ligado ao desenho das cúpulas, ressurgiu forte em muitas das criações apresentadas pela Euroluce este ano. Como no abajur Metafísica, onde o material aparece combinado ao aço envernizado, e ainda no Glass Drop, que traz cúpula e corpo  metalizados. Os dois produzidos pela Foscarini para a Diesel Living Collection.

Outra dimensão da peça, menos tangível, mas igualmente fundamental, a luminosa, foi assunto abordado por três outros lançamentos, todos eles tendo como base o uso de LEDs a Valentine, criada pelo holandês Marcel Wanders para a Moooi com cristal transparente soprado e equipada com botão regulador de luminosidade; a radiante Planet, do japonês Tokujin Yoshioka; e emblemática Batery, do Italiano Ferruccio Laviani – as duas últimas da Kartell.

“Quando atravessado pela luz, o cristal multifacetado da cúpula propaganda a imagem de um buquê de flores, dotando o quarto de uma atmosfera mágica”, derrete-se Wanders diante de sua preciosa criação. Um objeto que, além do cristal e do aço, emprega elementos cromados e até mesmo, alguns banhados a ouro.

Tal qual acontece com Valentine, o efeito lente aparece nas duas luminárias criadas, por Yoshioka e Laviani com policarbonato: uma resina plástica igualmente transparente, que empregada  em formato multifacetado oferece condições únicas de reflexão luminosa.

“Compus um globo que projeta uma superfície texturizada complexa, em referência ao cosmos”, afirma o designer japonês , sobre sua primeira luminária desenvolvida para a marca de plástica italiana. Ao contrário de Laviani, um veterano na área, mas que desta vez parece ter se aproximado de seu projeto síntese.

Equipada com LED´s, sua Battery é uma peça de dimensões reduzidas, produzida com policarbonato, mas que pode ser facilmente conectada ao computador pessoal e recarregada por meio de cabo UBS, atingindo até seis horas de funcionamento ininterrupto.” Parti do passado para construir um objeto contemporâneo. Ou melhor, atemporal. Como, aliás, acredito que todo abajur deva ser”, conclui o designer.

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O abajur Valentine, de Marcel Wanders, para a Moooi

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O abajur Baterry, de Ferruccio

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Dormitório com jogo de cama e luminárias Metafísica, da Diesel Design Collection

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Luminárias da série Planet, de Tokujin Yoshioka; à direita, abajur da linha

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O Glass Drop, abajur da Disel Design Collecton, produzido pela Fosacarini

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A lâmpda Luminaire, da Alessi, com desenho que remete à cúpula dos abajures

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em agosto de 2015

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