INOVAÇÃO É CHAVE PARA PRESERVAR A EMPRESA NA CRISE

Como enxugar custos em um período de baixa nas vendas e ainda manter a qualidade das entregas de produtos e serviços? O presidente do Sebrae, Luiz Barretto, diz que em tempos de crise as principais ações das empresas devem ser voltadas para inovação, capacitação e melhoria da gestão. “São palavras-chave para superar dificuldades em qualquer tempo”, afirma. “É importante também que o dono do negócio mantenha a equipe permanentemente comprometida, para garantir sua atividade-fim”.

Barreto afirma que há varias alternativas que podem trazer resultados imediatos para aliviar o caixa das empresas. Em lavanderias, lava-jatos, salões de beleza e panificadoras, onde a despesa com água e energia é significativa nos custos do negócio, os empresários podem economizar com medidas como a manutenção de equipamentos, troca de luminárias por modelos de maior eficiência energética e o uso racional dos aparelhos de ar-condicionado.

Até o fim de 2015, período em que o brasileiro deve racionalizar compras, é fundamental ainda analisar a planilha de custos para não repassá-los ao clientes, explica. “Vale buscar renegociações com os fornecedores para reduzir o preço de insumos, comprar matéria-prima por meio de cooperativas e trabalhar com estratégias de fidelização ao consumidor.”

Para passar por essa fase sem perdas, o conselho de Baretto para os empresários é não se limitar à mesa de trabalho. “O empreendedor precisa delegar tarefas e ir para o mercado, interagir com o público, visitar concorrentes, fornecedores e feiras de negócios”.

Ana Paulino, professora do MBA em gestão empresarial e finanças da Buniness School São Paulo (BSP), lembra que é importante ajustar a produção e os estoques à demanda atual. “Não se deve cortar a necessidade de reduzir o preço de venda”, diz. “Com o mercado desaquecido, a concorrência aumenta e não é hora de perder entregas.”

A especialista afirma que os prejuízos nesse período de recessão podem ser minimizados com uma boa gestão do fluxo de caixa. “Isso pode incluir a renegociação de prazos com bancos, se houver dívidas. Mas o ideal é não se endividar agora”.

Quando a crise se estende por meses, Ana Paula explica que há também mudanças de comportamento no consumidor, que altera sua cesta de preferências e padrões de compra. “O empresário deve observar os substitutos do seu produto e até buscar oportunidades de negócio. Lembra do racionamento de energia elétrica em 2001? Quem migrou para as lâmpadas econômicas não voltou para as similares comuns depois da crise. Dependendo do que vende, a empresa pode perder uma fatia do público alvo para sempre”.

Para Alex Antunes, sócio da Equilibrados – Orientação  Financeira, que atende pequenos negócios, as empresas deve ter as finanças sob controle, independentemente do humor do mercado. “Quem não fez um planejamento no ano anterior deve implementar, o mais rápido possível, um controle financeiro antes de cortar orçamentos. É comum ver empresas que, em momentos de contração, eliminam custos excessivamente e, além da recessão externa, criam uma outra crise, inteira”.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em julho de 2015

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