EXECUTIVOS APRENDEM A SER MAIS CRIATIVOS PARA ENFRENTAR A CRISE

Cresce a demanda por cursos que ajudam a inovar na liderança e nos negócios.

01

Sigel, da Escola de criatividade, diz que aprender a usar a imaginação ajuda a melhorar o que existe ou criar algo novo.

Criatividade se aprende na sala de aula? Escolas em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo garantem que sim. Com um público formado principalmente por gestores de empresas e executivos das áreas de vendas, marketing e comunicação, algumas instituições sentiram aumentar a demanda por cursos sobre o tema no primeiro semestre de 2015. O objetivo dos programas é usar o pensamento criativo para acelerar a inovação em produtos e negócios.

“A criatividade pode ser desenvolvida. A imaginação é o primeiro passo para criar algo novo ou melhorar uma rotina que já existe”, afirma Jean Sigel, cofundador e instrutor da Escola de Criatividade, de Curitiba. Criada em 2009, a instituição oferece palestras e cursos para empresas, como a “Oficina de Criatividade Aplicada aos Negócios”, com duração de oito horas-aula.

De acordo com Sigel, os gestores têm percebido que a inovação acontece mais de forma coletiva do que individual.

“A liderança é fundamental durante esse processo, pois vai gerar confiança e influenciar as equipes. Um líder sozinho, porém, não consegue ganhar o jogo”.

Na opinião de Sigel, o alto escalão das organizações precisa estar mais próximo de seus funcionários, pois as melhores ideias já estão nas empresas, à espera de uma oportunidade para aparecer. “Um de nossos principais objetivos é ensinar como otimizar reuniões e usar a comunicação para gerar ambientes mais criativos”, diz.

Mais de 20 corporações já contrataram o curso, desde 2012. A demanda pelo treinamento aumentou cerca de 15% no primeiro semestre de 2015, ante o mesmo período de 2014. “Considerando ser um ano de crise, o número prova a importância do tema para o mundo dos negócios.” A próxima turma está prevista para o final de setembro. A inscrição custa a partir de R$ 120.

No segundo semestre, a Escola de Criatividade prepara novas versões de programas, como o “Líderes Criativos”, feito no modelo de imersão, durante dois ou três dias, e o treinamento “Vendas Criativas”, na categoria “in company”, para ajudar empresas a destravarem as entregas.

Para Silvana Mello, diretora de desenvolvimento de talentos, liderança e engajamento da consultoria de recursos humanos LHH, as propostas de aprendizagem precisam conter elementos que ajudem o aluno a “sair da caixa”.

“Os programas devem propiciar liberdade de pensamento e provocar um ‘desconforto’ a fim de encontrar respostas”, diz. Segundo ela, o ensino clássico de transmissão do conhecimento, em que o professor fala e o aluno escuta, não remete ao desenvolvimento do pensamento criativo.

Silvana destaca que as empresas estão buscando executivos com capacidade de gerar soluções disruptivas. “Um profissional de perfil criativo e inovador pode ajudar as organizações a aumentarem a competitividade, por exemplo, em uma linha de produtos ou inventando uma nova forma de atuação.”

Foi pensando nas necessidades das corporações que Clarissa Biolchini, diretora da agência Ana Couto Branding, criou há poucos meses, no Rio de Janeiro, a Laje, que oferece palestras e workshops sobre inovação nos negócios.

Os programas duram de 2 a 120 horas. “As atividades são oferecidas para companhias que querem inovar em produtos, serviços e modelos de trabalho”, afirma a diretora.

Na quarta-feira tem início o curso “Inovação”, de 36 horas-aula, com dinâmicas que abordam a identificação de oportunidades e a execução de projetos inovadores. Custa a partir de R$ 850. “Fala-se muito sobre inovação, mas pratica-se pouco ou nada. Para construir marcas e inovar, é preciso de metodologia e disciplina”, enfatiza.

Clécio Luiz Chiamulera, diretor da paranaense Ibema, terceira maior fabricante de papel-cartão do Brasil, se matriculou em uma oficina de criatividade para gestores no ano passado. “Decidi fazer o curso para estimular os funcionários a serem mais criativos e a apresentarem soluções de melhoria no trabalho”, diz o executivo, na época envolvido em um projeto de inovação. “Aprendi que os colaboradores emitem opiniões apenas quando percebem que os chefes não criticam suas ideias, por mais absurdas que pareçam.”

Na Sputnik, braço de educação corporativa da escola Perestroika, cerca de 70% dos alunos trabalham em grandes companhias. A unidade, criada no ano passado, já ofereceu cursos customizados para mais de 50 grupos e 2,5 mil estudantes. Os temas das aulas são variados e incluem futurismo, processos criativos e como fazer apresentações impactantes.

Entre os clientes estão organizações como Facebook, Natura e C&A. “Apresentamos dinâmicas para os alunos resolverem problemas reais nas empresas”, afirma a diretora Andressa González. A escola abrirá novas turmas a partir de agosto.

matéria publicada no jornal Valor em 25, 26 e 27 de julho de 2015 por Jacilio Saraiva.

 

Esta entrada foi publicada em Marketing. Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>