NÍVEL DE CONFIANÇA É O MAIS BAIXO DESDE 2005

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Mais de 40% dos comerciantes reclamam de demanda insuficiente. No setor de veículos, é pior.

A rápida deterioração do mercado de trabalho esfriou ainda mais os ânimos dos consumidores para ir às compras, e os empresários do comércio sentem que a recuperação nas vendas não virá no curto prazo.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) anunciou ontem que tanto a confiança do comércio quanto a das famílias atingiram seus mínimos históricos, e a percepção é de que nenhuma delas se recuperará tão cedo.

Ao todo, 82,7% das famílias avaliam a situação da economia como ruim, e uma fatia semelhante acredita que está difícil encontrar emprego. Entre os empresários, quase metade aponta que a demanda é insuficiente.

“A piora está vindo do mercado de trabalho. Os consumidores ainda estavam com percepção favorável, mas isso mudou este mês”, afirma a economista Viviane Seda, coordenadora da Sondagem do Consumidor.

Neste mês, a confiança caiu 2,3%, ao menor nível da série, iniciada em setembro de 2005. Tanto a percepção atual quanto as expectativas pioraram na passagem do mês. Em um ano, a queda já é de 23,1%.

Em junho, a taxa de desemprego atingiu 6,9% nas seis principais regiões metropolitanas do País, a maior desde junho de 2010. Somente os setores de comércio e de outros serviços registram juntos um saldo negativo de 209 mil postos entre contratações e demissões. O número corresponde a cerca de 70% das dispensas no período.

“Esses setores, principalmente o comércio, geralmente têm um salário médio mais baixo, então pode ser que essas dispensas tenham influenciado o resultado da baixa renda”, afirma Viviane.

Em julho, a confiança desses consumidores caiu 5,4% – mais do que a média das famílias.

A perspectiva ruim no mercado de trabalho significa que os gastos dos domicílios brasileiros estão mais tímidos. A intenção de compra de bens duráveis cedeu 3,5% em julho ante junho – na baixa renda, a queda foi de 9,7% neste confronto. Para o comércio, isso é sinal de vendas menores nos próximos meses.

“As expectativas estavam ensaiando recuperação, mas prevaleceu (em julho) avaliação mais objetiva das condições econômicas”, afirma o economista Silvio Sales, consultor da FGV.

Neste mês, a confiança do comércio caiu 1%, ao menor nível da série, iniciada em março de 2010. A principal influência negativa veio justamente das expectativas para os próximos meses.

“Não há nenhuma evidência de que vai haver recuperação à frente, algo que estava presente nas avaliações em meses anteriores”, diz Sales.

O economista ressaltou que 44,4% dos empresários do setor reclamam de demanda insuficiente. No setor de veículos, esse porcentual chega a 61%. “Enquanto houver essa percepção, é difícil que haja reação”, acrescenta.

Nesse contexto, o indicador de emprego previsto no comércio recuou 5,7% em julho ante o mês anterior, para o segundo pior nível da série. Com essa demonstração por parte dos empresários, é possível que a lógica continue se repetindo nos próximos meses.

matéria publicada no jornal Valor em 25 de julho de 2015.

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