FALTAM RESPOSTAS PARA DEMANDAS DE IDOSOS

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Em países com maior população de pessoas idosas, algumas iniciativas dão um banho de empreendedorismo quando o assunto é investir em novos serviços para consumidores de idade avançada. Há aplicativos que lembram a hora de tomar remédios e redes sociais que conectam exclusivamente internautas com mais de 50 anos, para amizade ou relacionamentos amorosos.

Tânia Zahar Miné, professora da ESPM-SP, afirma que os empresários do setor não podem esquecer que o envelhecimento traz mudanças físicas, como a perda de visão, audição, memória e mobilidade. De acordo com uma pesquisa global da Nielsen sobre as principais demandas da terceira idade, analisada pela especialista, há muitos produtos e serviços em falta no mercado.

“A lista inclui cardápios e embalagens com letras maiores, além de caixas fáceis de abrir”, diz. “É recomendável que se olhe para centros como a Europa, América do Norte e Japão, já impactados pelo envelhecimento dos habitantes, a fim de capturar e trazer novas tendências para o Brasil”, diz.

Segundo José Renato de Miranda, diretor da Consultoria de Impacto – Gestão e Equipes, é possível abrir frentes de negócios como agências de passeios e excursões de curta distância, em que o cliente realiza atividades de lazer e gastronomia, e lojas de venda de celulares e itens de informática, com instrutores treinados para ensinar usuários mais velhos. “Os sites de relacionamento, para amizade, namoro e trocas de experiências, são outra possibilidade.”

A rede social australiana Stitch, um aplicativo de encontros para adultos maduros, foi criada no ano passado. Tem interface semelhante ao popular Tinder e oferece planos de uso gratuitos ou com mensalidades de US$ 9 a US$ 29. Segundo Andrew Dowling, um dos fundadores da startup, que passou pela aceleradora de empresas 500StartUps no Vale do Silício, nos Estados Unidos, o objetivo é “acabar com a barreira de isolamento social imposta na maturidade”.

Para Miranda, as principais necessidades do consumidor depois dos 60 anos são manter relacionamentos sociais e acessar serviços sem a ajuda de terceiros. “Nas academias de ginástica, seria possível incluir o transporte do aluno na inscrição”, sugere. Ao mesmo tempo, características como disciplina e paciência são indispensáveis ao perfil do empresário que visa esse cliente, segundo o consultor. “Com isso, o usuário se sente mais acolhido e seguro em relação à eficiência da atividade oferecida.”

Marcela, do SPC Brasil, lembra que há também uma demanda significativa no setor de moda e vestuário. “Essa parcela da população sente falta de peças não estereotipadas e que não os façam se sentir inadequados para a idade que têm”, diz a economista.

matéria publicada no jornal Valor em 27,28 e 29 de junho de 2015.

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