NEM VI QUANTOS CUSTA

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Luiza Brunet, no Hotel Emiliano, em SP: “Não tem tratamento, por mais caro que seja, que de conta de hábitos alimentares ruins e noites maldormidas.”

No mundo dos spas refinados e dos dermocosméticos inovadores, o orçamento é a última das preocupações.

Quando se trata de dimensionar com beleza, a ex-modelo e empresária Luiza Brunet está entre o time de mulheres que prefere não fazer contas. “Não gosto nem de calcular quanto gasto por mês, mas sei que é um volume razoavelmente expressivo. Por outro lado, sei que os cremes, os aparelhos e as massagens ajudam bastantes”, diz. Aos 52 anos, ela é testemunha do quanto a indústria da beleza evoluiu nas últimas décadas “Se você olhar fotos minhas dos anos 80, eu tomava sol demais. Hoje, não vivo sem filtro solar. Já que a gente tem a possibilidade de viver até os 90, quero estar bem”.

Além de dinheiro, o investimento na aparência demanda tempo e disciplina. Não tem tratamento, por mais caro que seja, que dê conta de hábitos alimentares ruins e noites maldormidas”, resume ela, que faz massagem três vezes por semana, adora ritual diário dos cremes e cuida com o mesmo afinco do rosto e do corpo. A volta das modelos maduras à passarela, em sua opinião, reflete a percepção das marcas de que as mulheres joviais, entre 40 e 60 anos, são as maiores consumidoras desse mercado e é preciso diretamente com elas.

O Brasil, terceiro maior mercado global de beleza e cuidados pessoais, movimentou US$43,5bilhões no segmento no ano passado, e a categoria de cuidados para a pele respondeu por US$4,4 bilhões desse montante. Mais: dados da consultoria Euromonitor International apontam que, em 2019, em um terço das vendas de produtos de beleza em todo o mundo serão provenientes de produtos de beleza em todo mundo serão provenientes de produtos de skin care.

Não é a toa que grifes do mundo fashion como Hermès e Dior, investem na beleza. Outras, como Lancomê, Kiehl’s ou Shiseido, ampliam seu mercado no Brasil a cada ano. Surpreendente, também, é o crescimento da americana Skin Ceuticals entre nós. A marca, referência nas pesquisas da indústria chegou ao país em 2011 e já tem aqui o segundo mercado global, com 10% das vendas no e-commerce. Já a australiana Aéssop, comprada pela Natura, abrirá sua primeira loja em São Paulo no segundo semestre.

Nessa polêmica questão “qualidade versus preço”, a dermatologia Carla Vidal acredita que os produtos mais caros não trazem apenas a marca como valor agregado. “Eles também carregam alto valor de investimento em pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias. “Isso não quer dizer que exista um orçamento de beleza rígido. “A nécessaire obrigatória, eu deve ter sabonete facial, tônico, filtro solar, creme noturno e hidratante corporal, no mínimo, pode custar de R$ 100 a R$ 1.500. É preciso aliar saúde com finanças. E não há idade mínima para começar a se cuidar. Até pacientes que buscam um demartologista pela primeira vez aos 70 anos podem obter resultados incríveis”, explica a médica.

No mundo dos spas, a clínica suíça La Prairie continua a ser a Meca. Mas a abertura da Villa Stéphanie, em janeiro deste ano, num prédio histórico em Baden, na Alemanha, agitou o mercado, O empreendimento é fruto de um projeto que surgiu com a ambição de criar o mais refinado spa europeu, capaz de materializar, em instalações e tratamentos, a linguagem da saúde no século XXI.

Já o Brasil tem em Gramado o seu spa mais luxuoso. É o Kurotel – Centro Médico de Longevidade e S’pa, na Serra Gaúcha. Focado na medicina preventiva, foi fundado em 1982 pelo médico Luís Carlos Silveira e sua mulher, Neusa onde existiam os “Kur hotéis”, criados para tratar pessoas com sequelas da guerra.

Com uma medicina voltada para um estilo de vida saudável, o Kurotel é premiado internacionalmente. A equipe tem o apoio de 144 profissionais, sendo 33 da área de saúde e, além do emagrecimento, promove outros tratamentos, tais, antitabagismo e longevidade. Nas clínicas complementares são feitos tratamentos estéticos.

Diferentemente dos modelos que misturam hotelaria e cuidados, conhecidos como “spas-destino”, há o “day-spa”, centro de bem-estar urbano. Nessa categoria, a novidade em São Paulo é o Aigai, inaugurado no final do ano passado, À frente do negócio está a empresária e advogada Fernanada Pinazzo, que procurou dois anos até encontrar o pinto ideal, no Alto de Pinheiros, enquanto percorria spas Tailândia, Camboja, Egito, Europa e Estados Unidos. “Queria um espaço de bem-estar que fugisse do conceito de emagrecimento e fosse uma espécie de óasis urbano para desconexão”, diz Fernanda.

matéria publicada na revista Valor em 7 de maio de 2015 por Maria da Paz.

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