GRIFES EM BUSCA DE ACESSÓRIOS

Artigos vendem bem em tempos de crise e viram recurso de fidelização de clientes até para marcas de joia.

Em tempos de crise, faz sentido em adiar a compra de um imóvel de um carro novo. Mas se o objeto de desejo for um acessório de couro, não há tempos difíceis que possam desencorajar o consumidor. Com impacto. Relativamente pequeno no orçamento, mas alto poder de transmitir status, uma bolsa, pasta ou carteira “grifada” pode ser o passaporte para o mundo dos homens e mulheres bem sucedidos.

E não foram somente as marcas de acessórios que perceberam isso: grifes tradicionais do prêt-à-porter e de segmentos como o de joias também estão buscando a sua fatia no mercado de acessórios de luxo. A demanda cresceu a oferta, junto com a concorrência, também.

Com uma história de mais de 170 anos, a joalheria e relojoaria francesa Cartier que ser também uma referência em acessórios de couro. Recentemente, a empresa começou a adquirir pequenas manufaturas para facilitar o controle da produção das peças. “A intenção é ser um player importante na alta maroquinerie”, diz Maxime Tarneaud, gerente-geral da Cartier no Brasil.

Uma das estratégias é o lançamento da coleção feminina “C de Cartier”, que ocorre no mês. “Será a nossa primeira coleção de bolsas de cores fortes” diz Tarneaud. A coleção mira o público jovem casual. Com os tons inspirados nas pedras preciosas – como quartzo rosa, granada, espinélio e ônix – a “C de Cartier” terá modelos que variam de R$7.300 a R$7.950. “Sem dúvida, os artistas de couro são a porta para a entrada de clientes novos na Cartier”.

A ideia da Cartier, no entanto, não é lançar coleções sazonais de novos artigos de couro. “Não somos uma Maison de moda”, afirma Tarbenaud. “Lançamentos uma coleção de acessórios por ano e alguns produtos se tronam permanentes”, afirma.

Para Filipe Tendeiro, gerente da francesa Longchamp no Brasil, a globalização trouxe para as marcas de luxo a necessidade de oferecer o “total look”. Marca de acessórios, por exemplo, está adicionando vestuário – caso da Longchamp – ,e o inverso também é fato.

“Tudo isso tem por objetivo fidelizar o consumidor” afirma Tendeiro Recentemente, por ocasião do 20º aniversário da bolsa de náilon Le Pliage, a marca francesa lançou o modelo comemorativo Le Pliage Héritage, feito com couro de diversas cores. “Junto com o sapato e o relógio, a bolsa é um item de diferenciação”, diz o executivo.

Para chegar ao nível de sofisticação que o consumidor da Longchamp exige, a grife usa couros nobres que passam por 150 manuseamentos desde que são retirados do animal até terem o tingimento e a textura ideais. “Ainda há mais de 90 operações manuais para a montagem de uma bolsa. Usamos máquina apenas para cortar o couro.”

Fabio Gianni, diretor da italiana Salvatore Ferragamo no Brasil, confirma os bons resultados dos acessórios em tempos de crise. Segundo ele, o consumidor vê a durabilidade e a qualidade dos produtos como investimento. “Na Europa, 80% do nosso resultado vêm dos acessórios. Na América do Sul, isso chega a 90% das vendas” E a razão é só uma: acessório é um item vistoso, que exibe uma marca e, consequentemente, transmite um ideal de status. “Somos uma grife aspiracional”, afirma Gianni.

A valorização dos artigos de couro natural também se dá pelo conforto e versatilidade que o material oferece. “É o melhor material que existe: pode ter várias espessuras e receber qualquer acabamento”, diz Humberto Ellwanger, diretor comercial da Tches, grife premium de sapatos femininos.

Com modelos variando entre R$700 e R$ 1 mil, a Tches está dobrando a sua fábrica de tamanho para atender à demanda. “Os consumidores querem artigos que façam a diferença.” Hoje, as tendências para esse setor incluem sapatos com patchwork de texturas – misturando pelos e couro de crocodilo em um mesmo calçado, por exemplo.

Para o empresário Alexandre Birman, criador da marca de calçados femininos que leva o seu nome, o mercado de acessórios vive um “bomm”. A maior oferta de artigos do gênero é visível nas lojas departamento, no exterior. “O espaço que antes era dedicado á perfumaria foi tomado por bolsas e sapatos”, afirma o executivo, que é CEO do grupo Arezzo.

Com mais de 150 pontos de venda no exterior, a marca Alexandre Birman utiliza as peles exóticas como principal atributo de sofisticação. Para a próxima coleção, a grife terá sapatos feitos de couro de peixes brasileiros. Segundo Birman, entre as tendências mais fortes do segmento estão as sandálias de saltos e tiras que cobrem todo o peito de pé. “Mas nosso estilo é temporal.”

matéria publicada na revista Valor em 7 de maio de 2015 por Vanessa Barone.

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