ESTRELAS NO TETO

Materiais nobres como aço, cobre e cristais estão dividindo a responsabilidade pelo luxo na iluminação com tecnologia de ponta e sustentabilidade. Recursos que incluem a renderização de imagens para designs apurados e a criação de cenas em ambientes proporcionada pela automação e a incorporação da luz de forma indissociável às peças, graças à popularização das duráveis lâmpadas de LED, conferem relevância à iluminação nos projetos arquitetônicos.

As novas possibilidades e o leque de opções fazem de luminárias, lustres e abajures objetos tão ou mais desejados que os demais móveis e elementos decorativos. “Os clientes estão  valorizando. Há alguns anos seria inimaginável investir recursos e tempo em projetos de iluminação”, observa Juliana Prado, arquiteta responsável pelo escritório da francesa Carbondale em São Paulo. Recentemente, em um apartamento de 400 metros quadrados, a designer Andreia Bugarib, da In House Arquitetura de Interiores, aplicou R$ 100 mil só em iluminação, em um projeto com peças de marcas top em iluminação embutida, como a alemã Ercko e a italiana Targetti sem contar os R$ 200 mil pagos pelo lustre Baccarat. “Um pendente hoje chega a ser tão importante quanto um sofá bacana”, compara.

Alessandra Friedmann observa que a iluminação decorativa segue tendências ditadas pela moda. Hoje traduzidas em muito brilho, com dourado e cristais, além do estilo vintage e da releitura da linguagem adotada nas décadas de 1960 e 1970 com o uso da tecnologia contemporânea. Um exemplo, diz, é a coleção Neverending Glory, resultado da renderização das imagens de lustres icônicos de teatros como o nova-iorquino Metropolitan e o russo Bolshoi, refeitas em vidros de alta tecnologia. Entre os materiais, também se destacam o cobre e a madeira.

“Principalmente no Brasil, porque temos facilidade com a madeira”, observa. O cobre,  escolha de designers como Tom Dixon e Maneco Kinderé, também é a marca de Airton Jorge Pimenta, da Lightworks, especialista em projetos de iluminação e grife de luminárias artesanais que decora de iates a casas de campo. “É uma tendência que está pegando mais forte”, ressalta.

Na área técnica, Alessandra ressalta a acessibilidade do LED como o grande motor para o desenvolvimento da iluminação, com reflexos como a miniaturização dos equipamentos e lâmpadas e a criação de peças como spots cada vez mais discretos. Outra questão, diz, é a incorporação da lâmpada ao produto e da luminotécnica à arquitetura, inclusive com apoio da automação. “A facilidade de mudança da iluminação para os diferentes usos de cada ambiente permite mudar o humor da casa”, diz.

A arquiteta Débora Aguiar usa a iluminação para criar cenas que atinjam os diferentes momentos e humores dos usuários com mistura de lâmpadas, luminárias e abajures. Seu último grande projeto residencial aposta em leve iluminação indireta em sancas, biombos, nichos, estantes e até na bancada do lavabo com quartzo branco. Também faz uso de focos direcionados a quadros e esculturas e de grifes como Baccarat, a holandesa Mooi, Ingo Mauer.

Segundo Débora, uma das tendências são os agrupamentos, com repetição de peças pequenas em diferentes alturas ou um móbile. Ela é adepta do uso de madeiras e fibras naturais combinados a elementos rústicos e nobres. “A miscelânea é a marca atual”, explica Fernando Vidal, da Rocco Vidal P+W.

Fernando vê alguns movimentos relacionados à luz na arquitetura, invadindo espaços corporativos, residenciais e públicos. Prédios inteligentes e sustentáveis contam com a utilização da luz natural para reduzir a dependência da luz artificial, que ganha reflexos e balanço de tipologias de cores e temperaturas para ambientes mais agradáveis. O resultado soma uso de luminárias indiretas, com refletores para evitar reflexos, peças pendentes e muito LED para melhorar a eficiência.

Matéria publicada no jornal Valor em 26 de novembro de 2014 por Martha Funke.

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