QUARTO INFANTIL

Escolher móveis com funções variadas, ainda que elas se revezem ao longo do tempo, é um trunfo da decoração de espaços infantis. É uma maneira prolongar o uso da peça.

Os projetos criados para a cômoda, a estante e a chaise do “Castelo Rá-Tim-Bum” compartilham a ideia de que as peças acompanhem as necessidades da casa.

No projeto de Eduardo Albernaz e Tatiana Otta Albernaz para a “cômoda do castelo”, o móvel guarda os utensílios para os cuidados do bebê, numa primeira fase, e, mais tarde, vira um aparador e gaveteiro dos brinquedos da criança.

E antes de executar uma ideia, vale lembrar que o local é para a criança e não para pais ou arquitetos. Gostos e devaneios criativos devem ser considerados, mas não impostos.

CÔMODA
por Eduardo S. Albernaz e Tatiana M. Otta Albernaz, arquitetos do escritório Otta Albernaz Arquitetura

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comodaA cômoda da série de TV foi pensada para “sobreviver” ao crescimento do filho.

Quando bebê, o móvel funciona como trocador e armazena produtos de higiene.

Conforme a criança cresce, o móvel pode virar um aparador de brinquedos.

A marcenaria que emoldura a janela forma um banco para relaxamento e leitura, que deve ser estimulada desde cedo.

Gavetões, portas e nichos foram dispostos nas laterais para abrigar brinquedos e livros de forma acessível à criança.

As luminárias lembram balões de festas e movimentam-se pelo ambiente.

ESTANTE
por Carol Gay e Manuela Oliveira, designers

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Contos infantis, sobretudo “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, inspiraram o design do quarto. “O surrealismo deles desperta a fantasia e os sentidos visuais e táteis da criança”, diz Carol Gay.

A estante azul do castelo teve sua função e cor mantidas. A cabeceira da cama tem a mesma forma triangular do móvel e sua tonalidade “pincelou” outras peças, conferindo unidade ao projeto.

As gavetas dispostas aleatoriamente funcionam como escada de acesso ao beliche. A descida é feita por um escorregador, que desemboca em uma “xícara de bolinhas”.

A história de Alice inspirou ainda as cores e listras do sofá, o papel de parede “floresta” e o lustre, feito com garrafinhas (de poções mágicas).

CHAISE
por Carolina Leonelli e Gabriela Tamari, arquitetas paisagistas do escritório Oficina2mais

chaisechaiseO projeto foi estruturado em dois níveis. A maioria do mobiliário está no plano baixo, permitindo o manuseio direto pela criança de objetos diários, como livros e brinquedos. Uma cama baixa, sobre base de madeira, um tatame ou tapete de fibra natural e a “chaise do castelo” formam o espaço de brincar. Além da luminária, o plano alto ganhou cestos suspensos por fios, para armazenar objetos variados e vasos. “Crianças podem comer plantas, então colocamos espécies adaptadas a ambientes internos nos vasos altos, e, nos baixos, fizemos uma pequena horta com comestíveis, como menta, hortelã e alecrim”, diz Tamari.

POLTRONA
por Lula Gouveia, arquiteto do escritório SuperLimão Studio

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Poltrona

Neste projeto, a poltrona do quarto do Nino, personagem do “Castelo Rá-Tim-Bum”, é a peça fundamental do “canto da leitura”.

O ambiente tem ainda uma estante aberta, para deixar os brinquedos e livros à mão da criança e obrigá-la a manter seus objetos arrumados.

O móvel é também uma escada, que leva ao nível superior. Nele, uma parede com tinta de lousa estimula a coordenação da criança e a criação de cenários variados.

Além de permitir o exercício físico, a rede de trapézio desenvolve a percepção espacial e o equilíbrio.

“Flexibilidade para brincar, bagunçar e criar foi o mote”, explica Lula Gouveia.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 12 de Outubro de 2014

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