UM PRITZKER EM PARATY

Estava tudo certo. Dezoito alunos de três faculdades de arquitetura (Escola da Cidade, FAU-USP e PUC-RJ) chegaram a Paraty acompanhados de seus respectivos professores (Marta Moreira, Antonio Carlos Barossi e Carla Juaçaba). Muitos deles já haviam lido e marcado o caderno de referências montado pela equipe que organizou a oficina. Mauro Munhoz, arquiteto e diretor geral da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), preparou uma apresentação para situar os participantes sobre as questões urbanas, sociais e ambientais da cidade que seria objeto de estudo nos dois dias seguintes. O que ninguém sabia até a aula inaugural era qual seria, exatamente, o grau de envolvimento do arquiteto convidado, Eduardo Souto de Moura. As notícias sobre seu estado de saúde assustavam. Será que ele aguentaria o ritmo de dois dias inteiros em sala de aula? Não demorou para que as dúvidas se dissipassem. Eduardo se mostrou receptivo, paciente, disponível e disposto – a ponto de encerrar os trabalhos dançando com os alunos no show de Gilberto Gil, que abriu a Flip. Nesta reportagem, acompanhamos os passos dessa figura cativante durante a visita a Paraty.

Na manhã seguinte à balada, um susto: Eduardo não aparecera no café da manhã com os colegas de hotel, nem respondia aos chamados no quarto. A apreensão estava no ar. Ninguém contava com o fato de que ele sairia logo cedo, pontualmente e sem avisar, para a entrevista coletiva marcada antes de sua mesa-redonda com o crítico americano Paul Goldberger. O encontro realizou uma antiga vontade de Mauro Munhoz: inserir temas relacionados à arquitetura em meio às discussões literárias. Afinal, o evento surgiu, em 2003, com a intenção de potencializar ações urbanísticas de longo prazo. Com os alunos da oficina e com o público, o debate sobre arquitetura foi oficialmente inaugurado na Flip. E, ao que parece, não se encerrou ali – Eduardo se dispôs e reencontrar os estudantes em outubro, quando estará de volta a São Paulo, para saber como evoluíram os trabalhos iniciados naquele começo de julho em Paraty.

O arquiteto português Eduardo Souto de Moura, ganhador do Pritzer, foi o convidado especial da primeira oficina de arquitetura e urbanismo da FLip.

No passeio de barco, Eduardo Souto de Moura conta sobre sua participação no projeto do metrô da cidade do Porto e emendando com perguntas sobre os problemas urbanos mais urgentes de Paraty.

Conselho de Eduardo Souto de Moura aos alunos, incentivados pelo arquiteto a privilegiar a formulação de critérios em vez da criação de soluções. “Em três dias, não é possível fazer um projeto”, diz.

Comentário sobre as casas modernistas que arrancou risos da plateia durante o evento, na tenda dos autores.

Reflexão que aflorou no bate-papo com o crítico americano Paul Goldberger.

Confissão surpreendente, já que Eduardo Souto de Moura é conhecido por traçar aberturas precisas nas casas que projeta.

O arquiteto português Eduardo Souto de Moura, ganhador do Pritzer, foi o convidado especial da primeira oficina de arquitetura e urbanismo da FLip.

Revelação feita num almoço no qual Eduardo seguia anotando em seu caderninho tudo o que lhe chamava a atenção “para comentar com o Siza depois”.

Matéria publicada na revista Arquitetura & Construção em agosto de 2013

 

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Uma resposta a UM PRITZKER EM PARATY

  1. Filipe Fontes disse:

    Uma das frases que considero mais impactantes: Quanto maior for a informação da população sobre arquitetura, melhor será a qualidade da mesma. Realmente, excelente.

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